Ação contra a diabetes
EM UM MUNDO ONDE existem pelo menos 300 milhões de diabéticos, a cada dez segundos, uma pessoa morre em decorrência dos problemas causados pela doença, de acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes, entidade filiada à organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, são cerca de 11 milhões, sendo a doença uma das três principais causas de morte, conforme o Ministério da Saúde e sociedade médica. Um paliativo para o problema surgiu em 10 de março de 1980, com a fundação no País da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), uma entidade não governamental, sem ns lucrativos, legalmente o oficializada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
Inicialmente, as primeiras reuniões eram feitas nas casas dos fundadores, um grupo de pais de crianças e adolescentes com diabetes. Desde aquela época, a preocupação era desenvolver um trabalho educativo. O grupo acreditava que este era o único caminho para obter uma qualidade de vida melhor para os seus lhos. Ao longo desses anos, a ADJ não só aprimorou como ampliou seu atendimento às pessoas portadoras de todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe socioeconômica. São mais de 18 mil associados em todo o País, sendo que 90% deles estão no Estado de São Paulo.
Integra a ADJ uma equipe multidisciplinar formada por psicóloga, nutricionista, enfermeira e voluntários (portadores de diabetes ou familiares). Além disso, mantém representatividade junto aos órgãos públicos como orientador e scalizador da luta pelos direitos do portador de diabetes no Brasil. A entidade realiza atendimento gratuito, organiza campanhas de prevenção e detecção de diabetes; palestras educativas em escolas das redes estadual e municipal, universidades, associações; e promove cursos de reciclagem para profissionais de saúde, entre outras ações.
Tira dúvidas
Entre as diversas atividades que visam expandir o conhecimento sobre a doença, e também promover a interação entre os seus associados, está o acampamento de férias, realizado desde o início da fundação da ADJ. O acampamento é feito em parceria com a disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ex-Escola Paulista de Medicina. Nessas ocasiões, jovens entre 9 e 15 anos de idade trocam experiências sobre a doença e o tratamento.
Outro programa bastante concorrido é o “Café com o Doutor”, realizado bimestralmente na sede da ADJ. São encontros para que os associados sanam suas dúvidas. Invariavelmente, os pacientes saem das consultas com questões que não tiveram coragem de perguntar ou elas surgem depois.
A entidade também promove campanhas de prevenção, detecção e orientação, em diversos locais do Estado de São Paulo. Nessas ocasiões, uma unidade móvel e equipe de profissionais especializados saem a campo para realizar essas ações pontuais. Outros programas regulares são o atendimento preventivo do diabetes tipo 2, dia a dia com o diabetes, palestras e orientações individuais. Os interessados em contribuir com a entidade podem participar da campanha “Abrace uma pessoa com diabetes”. Trata-se de um programa de apadrinhamento de pessoas com a doença, sem recursos financeiros, por pessoas da sociedade civil e empresas. A manutenção dos programas da ADJ é proporcionada pela contribuição de seus associados, que em troca participam das atividades propostas. Eles ainda recebem em suas residências a publicação Jeito de Viver e usufruem de descontos em consultas com profissionais da saúde especializados em diabetes, conveniados com a entidade.

SAIBA MAIS
Associação de Diabetes Juvenil (ADJ)
Site: http://www.adj.org.br
E-mail: fiquesocio@adj.org.br
DE FRENTE COM O INIMIGO
Presença cada vez mais comum na sociedade, é difícil alguém que não tenha na família um parente que padeça de diabetes. Ainda assim, a combinação da desinformação, sedentarismo e maus hábitos alimentares têm contribuído para que a enfermidade avance cada vez mais. Milhares de pessoas sequer têm conhecimento de que já desenvolveram a doença, e muitos, quando sabem, não aderem ao tratamento ou são relapsos nos cuidados.
A doença se caracteriza pelo aumento da quantidade de glicose no sangue. Ela se manifesta quando o organismo não consegue utilizar os nutrientes (derivados de carboidratos, proteínas e gorduras), provenientes da digestão dos alimentos, para produzir energia e mover o corpo ou para armazená-los em órgãos como o fígado, músculos e células gordurosas.
Uma de suas consequências diretas é a de ciência do hormônio de insulina, que atua como uma espécie de mensageiro químico, produzido no pâncreas. Ele é liberado no corpo e atua em partes distintas do organismo. Nos quadros de diabetes tipo 1, o organismo não consegue produzir insulina. No tipo 2, geralmente há uma combinação da deficiência parcial da produção e uma resposta reduzida do corpo ao hormônio, o que é denominado de resistência à insulina.
Vale destacar que algumas pessoas têm suscetibilidade para desenvolver a doença. A realização de um exame bastante simples, denominado dosagem de glicemia, aponta se a pessoa é ou não uma candidata. Quando o diagnóstico é positivo, é importante desenvolver uma nova postura alimentar associada com a prática de exercícios físicos regulares. Muitos estudos têm concluído que essa combinação contribui na redução das taxas em mais da metade, em um período de dois a cinco anos de acompanhamento. Porém, alguns fatores de risco podem acelerar o desenvolvimento do diabetes tipo 2, como obesidade, sedentarismo, histórico familiar, hipertensão, doenças vasculares, entre outros.
O diabetes tipo 2 não tem cura e é mais frequente que o tipo 1. Os sinais mais comuns são sede excessiva, perda de peso, fome exagerada, vontade de urinar muitas vezes ao dia, difícil cicatrização de feridas, visão embaçada, fadiga e infecções frequentes. Quando não é tratada, a doença evolui, isto é, aumenta o risco de um ataque cardíaco, perda de visão ou mesmo amputação de um dos membros inferiores.

