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1972 – 1982: Inserção no mercado

Damião Garcia (agora com 82 anos) é o que podemos chamar de visionário, no bom sentido, evidentemente. Enxergou além das possibilidades que se abriam no Brasil “do milagre econômico”, nos anos 1970, e fincou raízes de uma empresa que nas décadas seguintes mudaria os rumos do negócio de compra e venda de papelaria, informática e produtos para escritório. “É só uma papelariazinha de bairro”, teriam dito os mais céticos, em frente do sobrado da Rua Bartolomeu de Gusmão, Vila Mariana, em São Paulo.

Não era, ainda mais para um homem de coragem e afeito a desafios, que desembarcara na Estação da Luz, alguns anos antes, procedente de Bauru, com a esposa e cinco filhos pequenos. Ao mesmo tempo em que investia no ramo gráfico – comprou uma pequena gráfica na Avenida Celso Garcia, bairro do Tatuapé –, ele descobriu que precisava arrumar uma atividade para os filhos, ainda pequenos, mas que herdaram o seu gosto pelo trabalho. “Para mim, desafio é tudo. Sempre enxerguei o negócio; sempre procurei fazer”, diz o fundador da Kalunga.

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Como toda empresa ainda pouco conhecida no mercado, a Kalunga não tinha crédito garantido para o abastecimento de seu depósito. É aí que entrava em cena Damião Garcia, que se valia de seus conhecimentos de quando era caixeiro-viajante pelo interior do Estado de São Paulo. Um dos primeiros fornecedores a acreditar no potencial da papelaria, por exemplo, foi Juarez Dac, da Bic, que confiou no velho parceiro das estradas e deu-lhe um grande crédito, transformado em milhares de canetas Bic Cristal.

Nesta altura do campeonato, a Kalunga já ganhava nome como um atacado renomado, principalmente, no período de volta às aulas, quando atendia milhares de pais da capital paulista, interior de São Paulo e até de outros Estados. A loja da Rua Bartolomeu de Gusmão mudou-se para a Rua Vergueiro, onde está até hoje, enquanto eram abertas novas unidades, ainda na Vila Mariana, e também no Ipiranga, Tatuapé e Pari.

A comunicação com o mercado era feita por meio de catálogos de ofertas, distribuídos nos semáforos ou encartados nos grandes jornais. Aliás, foi  nesse catálogo que nasceu anos mais tarde a Revista Kalunga, ainda uma das principais ferramentas de inteiração da empresa com o seu público. O conceito de marketing de maneira geral ainda engatinhava no País, mas a Kalunga já se preparava para dar a grande tacada, que alavancaria o nome da empresa, conforme se poderá ver na década seguinte.

 

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