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	<title>Revista Kalunga</title>
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		<title>Sujeito a chuvas e trovoadas</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 19:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[atualidades]]></category>

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		<description><![CDATA[DE REPENTE, O PAÍS SEM VULCÕES, sem terremotos, tsunamis e outros fenômenos da natureza, está se revelando o campeão dos temporais, tempestades, enchentes, e demais consequências. Para se ter uma ideia, só de raios são aproximadamente 50 milhões anualmente, o que o faz também líder mundial nessa categoria. As razões seriam a localização, ou seja, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">DE REPENTE, O PAÍS SEM VULCÕES, sem terremotos, tsunamis e outros fenômenos da natureza, está se revelando o campeão dos temporais, tempestades, enchentes, e demais consequências. Para se ter uma ideia, só de raios são aproximadamente 50 milhões anualmente, o que o faz também líder mundial nessa categoria. As razões seriam a localização, ou seja, o Brasil está exatamente na denominada zona tropical, onde o clima é mais quente, portanto, mais favorável à formação de tempestades. Ora, como um raio nunca vem sozinho, na sua esteira, ele pode trazer morte, queimadas e danos incalculáveis à rede elétrica e, consequentemente, aparelhos elétricos e eletrônicos em geral. A melhor maneira de prevenir esses acidentes é usar equipamentos de proteção de energia, como os no breaks, cujas funções são proteger PCs, notebooks, a rede e outros aparelhos a ele ligados contra surtos de tensão, frequência elétrica e eventuais interrupções de energia.<span id="more-1154"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas antes de falar dos equipamentos, é importante entender a natureza dos raios. As condições ideais para que “apareçam” estão numa tríade concentrada nas nuvens de tempestade: cristais de gelo, água quase congelada e granizo. Esse três ingredientes se formam entre 2 e 10 quilômetros de altitude onde a temperatura fi ca entre 0ºC e -50ºC. Como se estivessem dentro de uma coqueteleira, eles são lançados de um lado ao outro no interior da nuvem e chocam-se entre si. Na troca de energia gerada, alguns desses ingredientes fi cam mais positivos, e outros, mais negativos. Devido à gravidade, o granizo e as gotas de chuva se acumulam na parte de baixo da nuvem, que vai concentrando carga negativa. Mais leves, os cristais de gelo e a água quase congelada são levados por correntes de ar para cima, deixando o topo mais positivo. Começa então a se formar um campo elétrico, como se a nuvem fosse uma grande pilha.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os meses de outubro e março, ocorre a maior incidência de raios no Brasil, o que provoca a morte de mais de 100 pessoas, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Cerca de 80% dos óbitos poderiam ser evitados caso as pessoas se protegessem de forma adequada. Mesmo em ambientes internos, seja residencia ou comércio, há riscos, o que requer alguns cuidados fundamentais. Por exemplo, muitas pessoas aderiram ao uso do telefone sem fio por questão de praticidade, no entanto, nos momentos de tempestade ele é um aliado. Se estiver usando um telefone com fio, a pessoa corre o risco de ser eletrocutada, pois um raio pode viajar pela linha telefônica, bem como pela fiação elétrica da casa, e queimar eletrodomésticos e outros aparelhos. Nesse momento, quem utilizar o telefone sem fio ou o celular não corre esse risco.</p>
<p style="text-align: justify;">É aconselhável que as pessoas se mantenham distantes de tomadas, canos, janelas e portas metálicas; a mesma orientação vale para qualquer equipamento ligado à rede elétrica. Caso es- teja fora e a tempestade começar a se formar, se não der tempo de localizar um local fechado, o ideal é entrar num carro, ônibus ou veículo metálico não conversível, pois funciona como isolante elétrico, com as janelas fechadas. A aproximação do raio é denunciada pelo arrepio dos pelos do corpo e uma leve sensação de coceira.</p>
<p style="text-align: justify;">Em áreas descampadas, o melhor a fazer é ajoelhar-se, com o corpo curvado para frente, as mãos nos joelhos e a cabeça entre eles. Essa postura em forma de esfera faz com que o corpo deixe de funcionar como uma ponta, que atrai raios. Evite se abrigar sob árvores ou deitar-se no chão, porque as descargas elétricas também atingem o piso. Deve-se evitar também piscina, lago, lagoa, praia, rio, pois a água é um excelente condutor de eletricidade. A situação é mais tensa na piscina, uma vez que a descarga pode chegar pelas tubulações metálicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1209" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/Chuvas-e-Trovoadas-2.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prejuízos</strong><br />
No campo empresarial, as intempéries também têm tirado o sono de muita gente, principalmente daqueles que trabalham com equipamentos sem proteção de energia. Jamil Mouallem, diretor comercial e de marketing da TS Shara, empresa fabricante de produtos de proteção de energia, garante que o investimento em um no break, em geral, não chega a 5% do valor dos prejuízos causados por raios ou surtos de tensão em residências ou comércios. “É lógico que devemos evitar o uso de determinados equipamentos que estejam ligados à rede elétrica em tempestades seguidas de raios, pois oferecem um risco maior de descargas elétricas”, emenda.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o executivo, nessas situações existem três equipamentos fundamentais para a segurança. O fi ltro é uma proteção básica e de baixo custo, mas com muitas limitações; o estabilizador tem proteção intermediária. Funciona como regulador de tensão, evitando que a voltagem chegue alta ou baixa nos equipamentos. Já o no break, que tem o custo um pouco mais elevado, vem equipado com estabilizador e fi ltro de linha interno. Além de atuar como estabilizador, sua principal função é oferecer energia ininterrupta aos equipamentos, mesmo na ausência ou falha na rede elétrica local durante um determinado tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">De março de 2012 a março deste ano, a TS Shara registrou um crescimento de 36% nas vendas de equipamentos de proteção de energia. Mouallem destaca que isso ocorreu por diversos motivos, entre eles, as fortes tempestades e as obras de infraestrutura que vêm ocorrendo em todo o País. “Os consumidores de computadores desktop e servidores são os mais atentos a essa necessidade. Com a recente queda nas vendas de desktops, a preocupação foi mostrar aos usuários que a proteção é necessária para qualquer aparelho elétrico que precise de regulação de tensão ou de energia ininterrupta, inclusive, notebooks e tablets”, informa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A melhor opção</strong><br />
<figure class="full-width-mobile alignleft thin" style="width: 300px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1208" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/Chuvas-e-Trovoadas-1.jpg" /></figure></p>
<p>Entre as soluções mais populares e ao mesmo tempo efi cientes, que a TS Shara oferece, está o UPS Mini. O produto, que foi desenvolvido para atender os segmentos home offi ce e small offi ce, tem dimensões de 15 cm de altura por 12 cm de largura e 23 cm de profundidade e conta com seis tomadas, três delas com bateria para alimentar os aparelhos quando houver interrupção de energia em média por 15 minutos. Pode ser ligado a computadores, impressoras, aparelhos de TVs e monitores, roteadores, conversores de TVs digitais, aparelhos de TV a cabo, carregadores de celulares e smartfones e até mesmo a um abajur, em caso de falta de energia, desde que o aparelho ou o conjunto dele some no máximo 500 VA. O UPS Mini também interrompe a alimentação de energia em situações de risco e conta com filtro de linha integrado e leds que informam as condições nas quais está operando.</p>
<p style="text-align: justify;">O diretor da TS Shara indica ainda protetores como o anti-Raio, para locais onde há muitas descargas elétricas e para home offi ces. De acordo com as situações citadas acima, os no breaks de 0,5 a 3 KVA trabalham com autonomia de 20 minutos a 12 horas. Nesse segmento, há a linha UPS Compact, UPS SOHO, UPS Compac e UPS Professional e estabilizadores das linhas Micro TS, Verti, EVS Professional e EVS. Isolados com diversas potências e dispositivos de proteções opcionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Auster Nascimento, diretor-geral da SMS, concorrente da TS Shara nesse segmento, afi rma que os danos aos aparelhos eletrônicos não ocorrem pela interrupção de energia, mas pelos distúrbios durante a queda e retorno dela. Sobre tensão e surtos de tensão provocam danos irreparáveis aos equipamentos eletroeletrônicos. As variações de tensão na rede elétrica também causam avarias a equipamentos, porém, na maior parte dos casos, são imperceptíveis aos usuários imediatamente, pois os componentes são avariados lentamente diminuindo a vida útil dos aparelhos. “Essas falhas podem, além de causar danos permanentes a equipamentos eletrônicos sensíveis e caros, resultar o interrompimento da operação de máquinas, perda de produtividade e de dados”, conclui.</p>
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		<title>Arquitetura na veia</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 18:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Dorneles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[gente]]></category>

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		<description><![CDATA[AO CONTRÁRIO DESTA ENTREVISTA, o escritório de João Armentano é parecido com o de todo arquiteto e decorador, bemdecorado e organizado; nas paredes, nada de diplomas ou troféus, apenas fotos diversas, de alguns trabalhos ou maquetes. Ainda assim, como bom virginiano, perfeccionista, ele se desculpa “Não repare na bagunça”. Já entrevistá-lo é outra história. O [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">AO CONTRÁRIO DESTA ENTREVISTA, o escritório de João Armentano é parecido com o de todo arquiteto e decorador, bemdecorado e organizado; nas paredes, nada de diplomas ou troféus, apenas fotos diversas, de alguns trabalhos ou maquetes. Ainda assim, como bom virginiano, perfeccionista, ele se desculpa “Não repare na bagunça”. Já entrevistá-lo é outra história. O repórter tenta alinhavar as perguntas, mas ele faz questão de ditar o ritmo da conversa. Fala muito, sobre si, seu trabalho, enfim, sobre tudo.<span id="more-1153"></span></p>
<p style="text-align: justify;">“Sou arquiteto desde que nasci”. Como assim? Explica que desde pequeno sempre gostou dessa área, como se desdenhasse da profissão do pai, que era médico. “Uma vez fiz uma redação, em que falava com orgulho do trabalho do meu pai, mas acrescentei depois da vírgula, ‘mas eu quero ser arquiteto’.” Sempre foi curioso, e preocupado em observar e absorver detalhes de tudo ao seu redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 12 anos, pela primeira vez, viajou a Paris com o pai. Depois de 12 horas no avião, no táxi, ouviu pacientemente as instruções: “Vamos chegar ao hotel, descansar e amanhã saímos para conhecer a cidade.” Quem diz que gênio irrequieto se acomodou? Mesmo sem falar uma única palavra em francês, enquanto o pai descansava, ele pegou um ônibus e foi visitar a Torre Eifell. “Subi, desci, fotografei, observei as escadas de incêndio; queria entender como aquilo funcionava, como sempre fiz.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em tempo integral</strong><br />
<figure class="full-width-mobile alignleft thin" style="width: 300px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1204" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/Arquitetura-na-veia-1.jpg" /></figure></p>
<p>Armentano, agora com 49 anos, não perde a mania de bisbilhotar tudo, de tentar descobrir, entender como as coisas funcionam. Gosta de lembrar o episódio de infância, quando seu pai lhe perguntou “meu filho, você não quer nunca trabalhar em sua vida?”, ao que ele prontamente respondeu, “claro que não”. “Escolha uma profissão da qual você goste; pois assim nunca irá ter trabalho, apenas prazer”. Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;">O que lhe dá prazer é ser arquiteto, por isso Armentano se diz um arquiteto em período integral. Mesmo nos finais de semana. Acorda de madrugada para assistir a Fórmula 1, quando é no Oriente, e nem volta para a cama. Já emenda um projeto no outro, e assim vai pelo resto do dia. Prazerosas para ele também são as coisas da Itália. Como bom descendente de italianos, é apaixonado pela comida daquele país e, além do automobilismo, pelo seu “Palestra”, o Palmeiras. Tanta dedicação lhe valeu recentemente até uma placa de “Torcedor Emérito”, entregue pela diretoria do clube.</p>
<p style="text-align: justify;">“Deve ser péssimo morar comigo, pois sou ligado nos 280 mil volts. Qualquer um que olhe e me veja fazendo várias coisas ao mesmo tempo vai dizer ‘Esse cara não é normal’”, constata o arquiteto. A principal interessada, segundo ele, não é ligada a desenho, mas “entrou na minha”. Ela seria o “peixe fora d’água!”, mas ocorre uma troca grande, uma sinergia, a tal ponto que ela virou a consultora. “E aí, amor, o que você acha disso?”. Com o tempo, ela aprendeu e Armentano considera muito importante a opinião “desse alguém que não é do mundo da arquitetura ou decoração”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouvir a esposa dizendo “nossa, sensacional”, soa aos ouvidos do arquiteto como uma poesia. Aliás, não só ela, mas qualquer um que elogie seu trabalho, afinal, “todo artista está sempre atrás da inovação e, claro, do reconhecimento”. Por isso, ele está sempre viajando, buscando, pesquisando, usando. Desde que seja bom, por que não utilizar em seus projetos? “Se vou a Pirituba (bairro de São Paulo), gosto de observar a região, os seus espaços, seus prédios; o mesmo faço quando viajo para outros países”, acrescenta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arquivo de emoções</strong><br />
Armentano reconhece que é difícil hoje em dia ser original, diante da onipresença da Internet, mas encara isso mais como uma barreira a ser quebrada. “Temos o mundo às mãos, mas após muita pesquisa, sempre nasce uma coisa nova. O desafio é quebrar o conhecido, e chegar ao inovador, ao inusitado”, pondera. As ideias estão no subconsciente, o nosso arquivo de emoções, imagens, histórias; que surgem quase sem querer, segundo ele. Eis que de repente, de uma ideia arquivada pode surgir um novo projeto. No final, 50% do trabalho pode vir desses arquivos, enquanto os outros 50% tendem a ser pura inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">A observação também pode ocorrer em uma viagem, aparentemente, infrutífera. Há uns 15 anos, atendeu ao convite de um empresário do setor de moda para acompanhá-lo a uma feira de Milão, a fim de observarem as tendências de decoração de lojas do futuro. “À época, considerei ridículas as propostas.Tudo muito simples e básico, mas ele me disse que no futuro as lojas seriam assim”, conta. Hoje em dia, todas as grandes redes de lojas do segmento trazem essa decoração simplificada, segundo Armentano.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outra ocasião, convidado a remodelar uma grande agência de propaganda, imaginou vários ambientes, onde os redatores ficassem à vontade, para “telefonar para a amante” ou “enfiar o dedo no nariz”, a hora em que bem entendessem. “Nada disso, quero um espaço aberto, integrado, onde todos se vejam, onde ninguém ponha o dedo no nariz ou fale com a amante”, considerou o contratante. A maior parte das grandes agências atualmente obedece a esse sistema integrado. “Aprendo muito com essas experiências e também com as pessoas que trabalham comigo”, diz o arquiteto.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1205" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/Arquitetura-na-veia-2.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Comunicação</strong><br />
De cinco a seis minutos, no máximo, é o tempo que o arquiteto necessita para entrar em uma casa, e fazer uma análise de seus moradores, quais os sonhos e necessidades de cada um deles. “Claro que não dou a solução de cara, pois passaria a impressão de que não me importo com eles. Primeiro ouço o que cada um tem a dizer, suas reivindicações, o que precisa para se sentir confortável naquele ambiente”, explica. Lembra que está ali para interpretar da melhor forma possível os sonhos daquela família.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez diagnosticado o problema, é hora da apresentação do projeto, que Armentano considera fundamental para o convencimento do cliente. “Essa forma de comunicação, com emoção, tesão, devoção, acaba levando a pessoa a comprar a ideia.” Indagado sobre seu estilo, ele apenas diz que seus projetos estão calcados em três princípios: conforto, praticidade e simplicidade. Aliás, a praticidade será um dos pilares da arquitetura no futuro, além da emoção, que provoca sensações novas, para magia e envolvimento. A nova arquitetura deve ser provocativa, na sua avaliação.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos jovens que pensam seguir a carreira, o arquiteto recomenda que tenham amor, dedicação, pesquisa e envolvimento profundo. “Muitas pessoas trabalham para ganhar o pão de cada dia, outras pelo puro prazer. Aquelas que se envolvem com prazer, fluem seus trabalhos com muito mais facilidade; e oferecem ao mercado um novo conceito, uma nova ideia; é a única maneira de se diferenciar”, constata. Após pesquisar, analisar, estudar, o arquiteto tem que testar ambientes em todas as situações possíveis e arrojar em seus projetos; sem medo de ousar. “Crie, invente, solucione, voe!”, conclui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NA HORA E LUGAR CERTOS</strong><br />
Armentano resume seu sucesso em uma única frase: “Tive sorte e estava no lugar certo na hora certa.” Não cursou nenhuma faculdade de expressão, aliás, até passou no vestibular do Mackenzie, mas decidiu que não ia estudar lá. Como não conseguiu entrar na Universidade de São Paulo (USP), negociou com o pai um estágio de três meses no exterior para aperfeiçoar o inglês. Conseguiu prorrogar o estágio por mais um período, mas ao final de seis meses foi intimado a retornar, do contrário não teria mais verba. Decidiu ficar mais seis meses por conta própria, trabalhando de garçom, recepcionista de hotel, “passeador” de cachorros.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao voltar ao Brasil, imaginou que entraria na faculdade que bem entendesse, mas deu com os burros n’água. Juntou alguns amigos e foi estudar na Brás Cubas, em Mogi das Cruzes (SP), no período da tarde, o menos concorrido. De manhã, fazia estágios em diversos escritórios de arquitetura de São Paulo. A decisão de montar uma empresa de desenho para prestar serviços aos escritórios onde estagiou foi um sucesso, mas o irrequieto Armentano, prestes a casar, aos 21 anos, decidiu abandonar a empresa. Nesse ínterim, o sogro compra uma cobertura e lhe dá a incumbência de decorá-la. Teve sorte, pela primeira vez, pois o seu trabalho ficou entre os seis ou sete melhores na avaliação de um grande jornal de São Paulo. “Era o único em um prédio novo; todos os demais eram de prédios antigos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Certo dia, recebe em seu escritório a visita de três jovens empresários que pensavam abrir uma casa noturna em São Paulo. “Entre eles havia um narigudo, que foi com a minha cara, e vice-versa”, relembra. O narigudo era o Luciano Hulk, que decidira montar com os amigos a boate Cabral. Satisfeito com o trabalho, Hulk decidiu que Armentano seria o “nosso arquiteto”, em todos os trabalhos de que o grupo necessitasse. Além disso, fazia questão de divulgar o seu nome na coluna “Circulando”, que tinha no jornal O Estado de S. Paulo. “Mais uma vez tive sorte, pois a partir daí passei a ser convidado para trabalhar, não só para eles, mas para outras pessoas e empresas”, finaliza.</p>
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		<title>Em terra de cego&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 18:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Kalunga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[CÃES E ESPAÇOS PÚBLICOS não combinam. Contra todas as convenções, no entanto, eles chegam, entram e são alvos de todos os olhares, tanto de admiração, quando de eventual reprovação. De desa cordo, evidentemente, daqueles que desconhecem a importância dos cães-guia, especialmente treinados para acompanhar deficientes visuais, estejam onde estiverem. E lá vão eles, à frente, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">CÃES E ESPAÇOS PÚBLICOS não combinam. Contra todas as convenções, no entanto, eles chegam, entram e são alvos de todos os olhares, tanto de admiração, quando de eventual reprovação. De desa cordo, evidentemente, daqueles que desconhecem a importância dos cães-guia, especialmente treinados para acompanhar deficientes visuais, estejam onde estiverem. E lá vão eles, à frente, seja no Metrô, no supermercado, no elevador, num shopping center e até numa sala de concertos. E não adianta vir com aquela história de que “aqui cachorro não entra”, que no Brasil já existem Leis nas esferas federais, estaduais e municipais que asseguram acesso de ambos (cachorro e dono) a todos os lugares.<span id="more-1152"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Essa convivência prática e saudável entre cães e deficientes visuais é bem antiga. Embora existam referências anteriores, a primeira tentativa sistemática de treinar cães para ajudar deficientes visuais remonta aos anos 1780, exatamente no hospital Les Quinze-Vingts, em Paris. Em 1788, Josef Riesinger, um deficiente visual de Viena (Áustria), treinou um spitz tão bem que as pessoas com frequência duvidavam de sua deficiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1819, Johann Wilhelm Klein, fun dador de um in s tituto de edu cação para deficientes visuais (Blinden-Erziehungs-Institut), também em Viena, mencionou o conceito de cão-guia em seu livro (der Blinden de Unterricht do zum de Lehrbuch). Fora isso, no entanto, não existe nenhum registro de suas ideias, e nem mesmo de que tenham sido realizadas. Não obstante, o suíço Jakob Birrer escreveu, em 1847, sobre suas experiências de ser guiado durante cinco anos por um cão que ele mesmo havia treinado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mônica Grimaldi, presidente da Associação Cão Guia de Cego,entidade fundada em 1981, revela que foi do médico alemão Gerhard Stalling a ideia de treinar cães para auxiliar os soldados que retornavam cegos, vítimas de combates durante a Primeira Guerra Mundial. “Um dia, quando andava com um paciente pelo hospital, ele foi chamado urgente, deixando o seu cão na companhia do deficiente visual. Quando retornou, teve a impressão distinta da maneira que o cão se comportava e como olhava o paciente. A partir daí resolveu treinar os cães”, conta.</p>
<p style="text-align: justify;">A Associação Cão Guia de Cego nasceu da iniciativa da mãe de Mônica, a assistente social Lucília Grimaldi. Ao longo desses anos, cerca de 50 deficientes visuais foram beneficiados. Ela destaca que o principal empecilho é a falta de legislação especifica que regulamente esse direito e a falta de treinadores capacitados para atender à demanda. No ano passado, foram capacitados 11 treinadores na Guarda Civil de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;"></p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Temperamento</strong><br />
Como se vê, não é do dia para a noite que se adestra um animal para essa finalidade. Machos e fêmeas podem cumprir a função, mas são levadas em conta algumas características, a começar pela saúde. O filhote precisa ter garantia total de origem, portanto, a Associação só atua com canis parceiros. “Todos os filhotes passam por exames específicos para verificar, por exemplo, atrofias ou displasias futuras. Eles têm de ser tops”, diz Mônica</p>
<p style="text-align: justify;">O temperamento também é um fator importante. O cão deve ser equilibrado, nem tímido, nem líder. As melhores raças são Golden Retriver e Labrador Retriver, segundo a Presidente da Associação. Os primeiros cães-guias foram pastores alemães e collies. Ela diz que, na verdade, observa-se o animal e não a raça. Mas é fundamental que sejam cães inteligentes e dóceis.</p>
<p style="text-align: justify;">Passadas essas avaliações, o animal é castrado e segue para a família adotiva, por um período de cerca de oito meses. Ele precisa ser sociabilizado, ou seja, conviver com pessoas, animais diferentes e lugares barulhentos, pois serão situações que ele enfrentará no seu dia a dia. Desde cedo, deve ser ensinado a fazer suas necessidades fisiológicas nos lugares certos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Nesse período, ele recebe um treinamento de obediência básica, de educação dentro de casa. Na Inglaterra, as famílias acolhedoras são chamadas de puppy walker. Ele não só convive com a família, como também é levado a outros locais: shopping, restaurantes, cinemas, museus; para andar de ônibus e de metrô”, explica Mônica. É necessário que tenha o maior número de experiências possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o tempo em que abrigam o cão, as famílias recebem carteirinhas que as habilitam a transitar com o animal por todos os ambientes públicos e privados. A Presidente da Associação declara que, no momento, são os treinadores que estão acolhendo os animais. “Queremos passar para as famílias, mas já tivemos casos de acolhedores que não conseguiram entregar o animal.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Comportamento</strong><br />
Ao contrário do que ocorre com os cães da maior parte das famílias, que recebem agrados e afagos, o aspirante a cão-guia tem tratamentos diferenciados. Ele nunca poderá manifestar alguns comportamentos, considerados inadequados, como pular nas pessoas, subir em sofás ou em cima da cama, mendigar comida etc. Para saber como lidar com essas situações, as famílias recebem visitas regulares dos treinadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, recomenda-se a quem se deparar com um cão-guia na rua, fazer de conta que ele não existe. Como “olhos” de outra pessoa, ele está trabalhando. É importante não oferecer alimento, água, nem carinho. Com certeza, o dono dele já supre todas essas necessidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O adestramento leva cerca de dois anos. Um cão treinado acata ordem. Mesmo diante do perigo, se receber outra ordem, que não a de seu dono, ele não fará nada. Seu objetivo é levar o deficiente com segurança. A situação do cachorro é mais ou menos como a frase do brasão da cidade de São Paulo “Não sou conduzido, conduzo”. “O conduzido é o adestrador, é o deficiente visual. Essa é a grande diferença. É uma equipe”, explica Mônica.</p>
<p style="text-align: justify;">A espera por um cão-guia é de cerca de dois anos. Há alguns pré-requisitos: primeiro, a pessoa precisa gostar de cachorro. Segundo, o deficiente visual deve ter curso de mobilidade e ser independente com a bengala. “O cachorro não é um robô que a pessoa liga e desliga. Ele tem determinadas necessidades, por exemplo, fisiológicas. Além disso, o dono terá que escovar, dar água e banho. O difícil não é ter, mas manter”, diz a presidente da Associação. Segundo ela, o animal proporciona independência, mas merece ser tratado comdignidade e respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados alguns anos, a exemplo de outros trabalhadores, os cães-guias se “aposentam”. Enquanto ele trabalha, são realizadas vistorias anuais para observar as condições de saúde. “Como são patrimoniados, caso o deficiente visual queira, pode permanecer com o animal. Se não puder, por falta de espaço ou condições financeiras, ele é encaminhado para outras famílias adotivas. Aí sim, é ‘aposentado’, não trabalha mais”, finaliza Mônica.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem quiser apadrinhar animais ou contribuir<br />
com a Associação pode acessar os endereços:<br />
<a href="http://www.caesguia.com.br" target="_blank">www.caesguia.com.br</a><br />
<a href="http://www.facebook.com/EuApoioAAssociacaoCaoGuiaDeCego" target="_blank">www.facebook.com/EuApoioAAssociacaoCaoGuiaDeCego</a></p>
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		<title>Que nem andar de bicicleta</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 15:27:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Dorneles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[CENA COMUM EM TODA grande cidade: o sujeito ali na praça a pintar uma paisagem ou um rosto e o povo em volta embasbacado com sua capacidade, alguns com um misto de inveja e admiração. Frustrados, se perguntam: “Como ele consegue fazer isso, por que eu não tenho esse dom?” Todos conseguem, sem nenhum mistério, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">CENA COMUM EM TODA grande cidade: o sujeito ali na praça a pintar uma paisagem ou um rosto e o povo em volta embasbacado com sua capacidade, alguns com um misto de inveja e admiração. Frustrados, se perguntam: “Como ele consegue fazer isso, por que eu não tenho esse dom?” Todos conseguem, sem nenhum mistério, desde que desenvolvam mais o lado direito do cérebro, conforme o arquiteto paulista Roberto Rondino. Ele comprova diariamente sua tese no curso de desenho, que oferece há 21 anos, no estúdio anexo à sua casa, no bairro da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.<span id="more-1151"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Rondino tomou conhecimento dessa técnica, ao ler o livro Desenhando com o lado direito do cérebro, da arte-educadora Betty Edwards, da California State University. Ela se inspirou nas pesquisas do neurocirurgião Roger Sperry, também norte-americano, Nobel de medicina em 1981. “É conversa fiada de que o ser humano só usa 10% de seu cérebro. Na verdade, a maior parte de nossas ações do dia a dia é comandada pelo lado esquerdo de nosso cérebro, cerca de 95% dele. Sobram apenas 5% para o lado direito”, destaca.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1198" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/que-nem-andar-de-bicicleta-1-2.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;">É o lado esquerdo que coordena o lado direito do corpo, e também o ato de dirigir, por exemplo, e todas as demais atividades mecânicas. Bem escondidinhas do lado direito, estão nossa intuição, responsável por mecanismos não lógicos, nossas habilidades científicas e artísticas, a capacidade de desenhar, interpretar etc. Rondino exemplifica Arquimedes, o célebre sábio e matemático grego, que quebrava a cabeça tentando descobrir a fórmula da mecânica dos fluidos, deitado em uma banheira. Quando ele relaxou, o lado direito lhe trouxe a solução, que o fez soltar a famosa expressão “Heureka!”.</p>
<p style="text-align: justify;">“A criança desenha primeiro, depois escreve. Com o passar dos anos, sem estímulo dos pais ou professores, ela acaba perdendo o interesse e essa ‘capacidade’ de desenhar”, alerta o arquiteto. Aliás, segundo ele, a escola é o local onde se desenvolve mais o lado esquerdo, o raciocínio lógico; e também onde se deixa de lado o direito, as aptidões para o desenho, o teatro, a música, “o que nos deixa desequilibrados”. Em busca desse equilíbrio, frequentam as aulas de Rondino donas de casas, secretárias, médicos, estudantes e arquitetos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segredo</strong><br />
<figure class="full-width-mobile alignright thin" style="width: 268px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1200" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/que-nem-andar-de-bicicleta-4.jpg" /></figure></p>
<p>Formado em arquitetura pela Universidade de São Paulo, Rondino explica a presença de arquitetos e estudantes da área em seus cursos. “O CAD (computer-aided design) só ensina dois ou três traços; por isso, eles vêm aqui aprender a desenhar”, explica, enquanto traça no quadro branco o símbolo oriental da junção do Yin e Yang, que se equilibram e se complementam. “A esfera é o desenho das linhas perfeitas, sem pontas, arestas ou ângulos; e esse símbolo é o equilíbrio que buscamos ao estimular o lado direito de nosso cérebro com o desenho”, acrescenta.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o arquiteto, o lado esquerdo tem tendência a resolver todos os problemas; é treinado para isso. Em contrapartida, como nós, desde criança sempre gostamos de desenhar, e na escola nem sempre temos o estímulo necessário para desenvolver essa aptidão, carregamos para a fase adulta essa frustração. Rondino diz que após as primeiras aulas, o aluno fica muito feliz ao descobrir que tem o “dom” de desenhar. A sua conclusão é de que o desenho deveria fazer parte da formação básica de todo aluno, mas infelizmente, nem sempre isso ocorre.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, onde está o segredo da arte de desenhar com o lado direito? “O segredo é tentar contornar os mecanismos impedientes do lado esquerdo, criando situações que o lado lógico não consegue resolver. Quebrar os preconceitos impostos pelo lado esquerdo”, explica o professor. Um dos exercícios curiosos, passado ao aluno, é para que ele coloque o que está desenhando de cabeça para baixo, o que desorganiza as formas de percepção de um rosto, por exemplo. Rondino explica que, ao contrário do que imaginamos, a parte do rosto, do nariz para baixo, não é maior do que a de cima, é exatamente do mesmo tamanho.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1201" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/que-nem-andar-de-bicicleta-5.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relaxante</strong><br />
“Ao usar o lado direito, a pessoa desenha a imagem como ela é, e não pelos seus significados, em geral, gerados pelos nossos preconceitos”, esclarece o professor. “Na verdade, a grande sacada de Betty Edwards, o que é assimilado nas aulas, é de que desenhar é mais questão de perceber do que de habilidade motora, ou seja, saber ver e observar os objetos. É preciso ver o que se está desenhando, não por meio dos símbolos, mas pelas formas.” No livro, ela propõe como exercício que o aluno desenhe os espaços negativos, isto é, se for as mãos não devem ser exatamente iguais, mas o que há entre os dedos.</p>
<p style="text-align: justify;">O mais importante, ao frequentar um curso dessa natureza, é descobrir que desenhar é uma atividade extremamente relaxante. “Quando, durante uma reunião ou palestra, a pessoa se vê entediada, o que ela faz? Começa a desenhar e, com isso, o tempo parece passar mais rápido, não é mesmo?”, indaga Rondino. Após cursar as aulas e descobrir que “aprendeu” a desenhar, a pessoa vai se sentir muito mais relaxada e confiante, segundo ele, pois o lado direito do cérebro não é estressado, ao contrário do esquerdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os alunos que já passaram pelos bancos do curso, nestes 21 anos, está a empresária Vera Maluf, que disse ter passado “por uma mudança radical em sua vida”. Animou-se e se formou em psicologia. Também estiveram por lá o cartunista Chico Caruso, o ator Carlinhos Moreno, o “garoto Bombril”, os cantores Guilherme Arantes e Arrigo Barnabé, que chegou a cursar arquitetura. Lucila Betting, esposa do jornalista Joelmir Betting, falecido recentemente,também foi aluna do curso. Em uma de suas lições de casa, ela desenhou o rosto do marido, trabalho que consta da pasta de Rondino.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 575px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1199" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/que-nem-andar-de-bicicleta-3.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SEMPRE PROFESSOR</strong><br />
Roberto Rondino, hoje com 69 anos, ganhou vários prêmios de comunicação visual, arquitetura e design, mas o que lhe dá mais prazer é falar de seu curso de desenho com o lado direito do cérebro. Antes, ele exercia a arquitetura e, em paralelo, dava aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), e no cursinho Anglo Latino. Aluno de Paulo Mendes da Rocha e Gasperini, nos tempos da FAU, teve como colega no magistério Ruy Othake e Chico Buarque de Holanda, que dava aulas de redação.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos 48 anos, depois de ganhar um bom dinheiro na construção de uma mansão, no Jardim Boaçava, zona oeste de São Paulo, decidiu que ia se aposentar e morar na praia, no litoral norte de São Paulo. Um dia, enquanto caminhava pela areia, ao lado da esposa, descobriu que não era bem aquilo que queria para seu futuro e voltou para a capital. Rapidamente, após tomar contato com o livro Desenhando com o lado direito do cérebro, de Betty Edwards, montou o curso para oito alunos em uma sala improvisada ao lado da piscina de sua casa.</p>
<p style="text-align: justify;">O projeto deu tão certo que já se vão 21 anos. O curso cresceu; foram criadas tantas turmas, que ele perdeu a conta de quantos alunos já teve. Agora volta a redimensionar o curso, em geral de seis meses, com apenas uma sala para 12 alunos. Rondino atribui o sucesso à excelência do curso, embora não possa descartar a capacidade que tem de passar os conhecimentos que adquiriu em todos estes anos como professor. “Se você não sabe ensinar, as pessoas se desinteressam”, conclui.</p>
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		<title>Mércio Pereira Gomes: Nossos índios, mais vivos do que nunca</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 14:53:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Antropólogo, professor de pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes comparou em seu livro mais recente, Os Índios e o Brasil: passado, presente e futuro, o morticínio em massa dos índios perpetrado explicitamente pela [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antropólogo, professor de pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes comparou em seu livro mais recente, Os Índios e o Brasil: passado, presente e futuro, o morticínio em massa dos índios perpetrado explicitamente pela Coroa portuguesa, durante a colonização do Brasil, ao massacre de judeus e de outras minorias, nos campos de concentração alemães na Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, os que não foram mortos, sofreram igualmente uma perda muito grande de território, foram escravizados e submetidos ao processo de destruição de suas culturas, além do uso de suas mulheres, que terminaram produzindo os filhos que deram as bases da população brasileira até 1800. Os números do Censo e da Funai são divergentes, mas ao contrário do que muitos acreditam, a população indígena tem crescido no País. <span id="more-1150"></span>Gomes considera como referência os índices da Fundação, segundo os quais existem no Brasil 240 povos, com 630 mil pessoas, que falam 180 línguas. Desde meados da década de 1970, o antropólogo se debruça sobre a temática indígena e compilou em seus livros a trajetória de muitas etnias que já existiram no País. Seus trabalhos permitem fazer conexões com o passado e traçar reflexões sobre o presente e o futuro. Nesta entrevista, ele fala de sua experiência como presidente da Funai, de políticas públicas, assimilação, cultura indígena e outros temas. Confira também outros livros: Os Índios e o Brasil, Antropologia Hiperdialética, Antropologia, O Índio na História, Darcy Ribeiro e A Vision from the South, além dos blogs Cultura, Antropologia, Índios (<a href="http://merciogomes.com" target="_blank">merciogomes.com</a>) e Blog do Mércio: Índios, Antropologia, Cultura (<a href="http://www.merciogomes.blogspot.com" target="_blank">www.merciogomes.blogspot.com</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há povos indígenas em todas as regiões do País?</strong><br />
Existem até no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, onde se imaginava que tivessem desaparecido. Nos últimos 20 anos, surgiram povos, grupos de familiares ou de comunidades no interior dessas localidades que se autoidentificaram como indígenas. Dessa forma, em todos os Estados brasileiros, há populações indígenas, comunidades indígenas, aldeias, terras mais ou menos reconhecidas, embora em muitos casos ainda não demarcadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ao contrário de muitos afrodescendentes, que tentam omitir, as novas gerações reforçam essa ascendência?</strong><br />
Sim. E se formos falar biologicamente, a contribuição do índio na genética brasileira é quase igual à do negro, ou seja, de cerca de 30%, segundo biólogos e geneticistas. A do negro é de 37,38%. A genética indígena se dilui na população. Em muitas partes do Brasil, Amazonas, por exemplo, 70% da população é indígena geneticamente, porém, não culturalmente. No País, ser indígena não é DNA. É uma autoidentidade relacionada com uma comunidade que se autoidentifica como indígena.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O ideário de que o índio é indolente ou preguiçoso ainda permanece?</strong><br />
Há duas coisas presentes no imaginário brasileiro: o índio como o protetor da natureza e também como indolente. Essa mania de chamar o índio de indolente vem da época colonial, quando ele recusava o trabalho escravo. É uma forma de resistência a um sistema opressor de trabalho alienado, sem sentido. Na sociedade indígena, o trabalho está relacionado com a cultura, com aquilo que se produz sobre os bens para consumo e atividades culturais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ao contrário do Brasil, entre as sociedades indígenas há particularidades que as tornam iguais?</strong><br />
Existe muita diferença entre os povos indígenas. Há povos, cujas culturas são adaptadas aos rios ou aos lagos, à pesca. Há outros, que vivem no Cerrado, na floresta, na Caatinga, no Pantanal. Eles adaptaram as suas culturas de acordo com o meio ambiente e também pela capacidade de diversidade que todas as culturas têm de conceber coisas novas. Atualmente, são faladas no Brasil 180 línguas diferentes; eram entre 800 e mil, à época do Descobrimento do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1195" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/nossos-indios-1.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Na sua opinião, o que impede a Funai de cumprir plenamente o seu papel?</strong><br />
A Funai é um órgão com 2.500 funcionários responsáveis por 13% do território nacional. É onde estão as populações indígenas. Dá para imaginar o que isso representa? O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) tem 6 mil funcionários e cuida de um terço das terras públicas brasileiras. Isso é uma dificuldade, as invasões territoriais ocorrem por causa da falta de pessoal. Há um déficit de funcionários muito grande. A Funai é administrada por pessoas que têm uma visão ongueira do mundo, o que vale é o papel das ONGs. Elas mesmas diminuem as atribuições da Funai, criam regras que reduzem o peso do Estado brasileiro na proteção e na assistência aos índios. Isso agrava e deixa a Funai sem forças nessas grandes questões que estão surgindo, como mineração em terras indígenas, hidroelétricas, estradas; e os índios estão engolindo moscas nessa história. A Funai não consegue obter as compensações e a solidez dos índios nessas questões, também não consegue ter força para persuadir o governo de um lado, que seria importante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais são as políticas indigenistas, que devem ser adotadas para garantir os direitos dos índios?</strong><br />
Primeiro, deve seguir a lei brasileira, que se baseia na Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Qualquer tema, assunto ou gestão relacionada com a proteção de terras indígenas tem que passar por uma consulta leal consensuada com os índios. Se eles dizem que não querem hidroelétrica, tem que discutir o assunto com eles. Ou se é tão importante para a nação, tem que convencê-los e compensá-los por isso. Esse primeiro ponto é fundamental, a proteção dos territórios. Segundo, a questão da saúde que sempre esteve atrasada. Embora a população esteja crescendo, não há mais grandes surtos de doenças que os matavam, como a varíola, sarampo e catapora, mas eles sofrem com a assistência médica que recebem do Estado. Além disso, não há assistência capaz de fazer com que a renda econômica dessas populações melhore e adquira uma produtividade maior na venda de seus produtos, para que virem sociedades autônomas, sem que suas culturas sejam destruídas. Issoé uma falha da política pública indigenista brasileira de longos anos, inclusive, quando eu era presidente da Funai, que vem se agravando pela decrepitude do órgão nos últimos sete anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Existem populações que se mantêm fidedignas as suas origens,sem contato, inclusive, com outras tribos?</strong><br />
Sim. Há pelo menos 20 diferentes grupos na Amazônia que não querem contato com ninguém. Eles querem viver a sua vida, independentemente de contato com outros índios, muito menos com a sociedade branca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com os exemplos que temos de assimilação, é possível manter esses grupos isolados por muito tempo?</strong><br />
Depende do modo que o Brasil vai progredir. Por exemplo, caso o Estado brasileiro mantenha uma grande extensão de terras livres, em grande parte na Amazônia ou em parte do Cerrado, e deixe esses grupos em paz, eles podem viver assim por muito mais tempo. Eu não sei quanto tempo. Há 50 anos, todo mundo dizia que os índios iam se acabar, mas eles não somente se multiplicaram, como ainda se mantêm com quase todos os aspectos e traços culturais que tinham antes. Mesmo aqueles que aprenderam o português, que convivem com fazendeiros, cidadãos e que conhecem o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De algumas décadas para cá, muitos jovens indígenas têm se preparado para assumir o papel de líderes. De que maneira é feita a escolha?</strong><br />
Em geral, eles precisam ter a capacidade de dialogar e articular com o mundo envolvente. Aprendem o português, os modos em que a sociedade brasileira se relaciona, o discurso político, a retórica, os meandros da nossa cultura, do bem e do mal. A partir daí, se imbuem do espírito de representar o seu povo diante da sociedade brasileira envolvente.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1196" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/04/nossos-indios-2.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que, em entrevistas com lideranças indígenas, eles sempre se mostram saudosistas, nutrindo o desejo de regressar às suas aldeias? Você já esteve nos Estados Unidos ou na Europa? Quando você está lá, não dá saudade do Brasil?</strong><br />
É a mesma coisa. Você acha interessante,<br />
bonito. Mas a sua identidade é brasileira, dá vontade de estar no Brasil. A sua estada é uma experiência cultural de conhecimento do mundo mais amplo. Os índios têm esse mesmo sentimento quando estão na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem seriam os algozes, os inimigos dos índios, na sociedade contemporânea?</strong><br />
Em muitas terras indígenas, por exemplo, no Mato Grosso do Sul, são claramente os fazendeiros. Em épocas anteriores, eles tomaram suas terras ou as compraram do Estado. Os índios foram expulsos e agora estão querendo voltar. Em outras áreas, são os madeireiros que invadem as terras, e tentam corromper os índios para tirar madeira às escondidas. Em outros lugares, são os garimpeiros que invadem as terras dos Ianomâmis, por exemplo. Há também os mineradores de ouro, garimpeiros de diamante. Tudo isso é resultado da falta de políticas públicas. De certo modo, o Estado está devendo muito aos índios. Não é que o Estado seja inimigo deles, nem algoz, mas ele tem uma responsabilidade para com a assistência à proteção das populações indígenas. Mais adiante, é a própria sociedade civil que não se dá conta da importância dos índios como representação da diversidade cultural brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que os índios têm a nos ensinar?</strong><br />
Eles nos ensinam a respeitar a natureza, a cuidar dos nossos filhos e respeitarmos uns aos outros. Nos ensinam a ser igualitários, a ser uma sociedade em que todos tenham as mesmas oportunidades e atributos, deveres e gozos; Além disso, também nos ensinaram a dormir em rede, tomar banho três vezes por dia, quando faz calor; a comer mandioca, farinha, gostar de abacaxi, a fumar, apesar de que fumar não é grande coisa. Eles nos ensinam também que uma sociedade pode ser igualitária, em que as crianças têm de ser educadas, fortalecendo as suas personalidades e não as reprimindo.</p>
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		<title>Vocês querem bacalhau?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 14:45:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Azevedo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[BACALHAU, PARA OS PORTUGUESES, não é considerado nem peixe, nem carne. Bacalhau é bacalhau, e pronto. Aliás, foram eles que introduziram esse peixe nos pratos do dia a dia, ainda no século 14, fase das grandes navegações. Naquela circunstância, o pescado atendia às demandas da época; uma vez salgado, mantinha suas características gustativas, e o [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">BACALHAU, PARA OS PORTUGUESES, não é considerado nem peixe, nem carne. Bacalhau é bacalhau, e pronto. Aliás, foram eles que introduziram esse peixe nos pratos do dia a dia, ainda no século 14, fase das grandes navegações. Naquela circunstância, o pescado atendia às demandas da época; uma vez salgado, mantinha suas características gustativas, e o mais importante, podia ser armazenado sem refrigeração por meses.<span id="more-1193"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Poucos acreditam hoje em dia, mas bacalhau já foi comida de pobre. A preferência então era pelos peixes frescos, que tinham sabor mais agradável que os dos salgados. Aos poucos, entretanto, o bacalhau não só conquistou pelo paladar, como foi incorporado à cozinha lusitana. Não por acaso, os portugueses figuram como o maior consumidor de bacalhau do mundo. No entanto, os pioneiros na descoberta da espécie foram os vikings, no século 9. Como desconheciam a existência do sal, esses povos secavam os pescados ao relento, o que os deixava endurecidos e pesando cinco vezes menos.</p>
<p style="text-align: justify;">O consumo do peixe foi impulsionado pela igreja medieval, que permitia o seu uso em dias de jejum de “comida quente” (como carne vermelha), nos quais eram permitidos só alimentos frios. Em Portugal, o bacalhau não falta também na Consoada de Natal, véspera do natalício de Jesus. Em algumas localidades desbanca outros pratos típicos da época.</p>
<p style="text-align: justify;">Do bacalhau não se perde nada. A carne é consumida fresca, defumada ou salgada e seca; do fígado se extrai óleo e da bexiga se faz cola. Além disso, come-se a cabeça, as bochechas, as ovas, a língua, a pele gelatinosa e as tripas. No passado, as comunidades pesqueiras mais humildes utilizavam inclusive as espinhas, que eram “amaciadas” em leite.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Variedades</strong><br />
O Cod Gadus Morhua ou Bacalhau do Porto, que vive nos mares gelados do Atlântico Norte, é considerado o legítimo. Há exemplares que chegam a pesar mais de três quilos. Após o processo de salga e secagem, apresenta coloração palha e uniforme. Quando cozido, desfaz-se em lascas claras e tenras, de sabor inconfundível.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda outros cinco tipos. Com a carne bem clara, o Ling é mais estreito que os demais; tem um bom corte e é muito bom para grelhar. O Zarbo é um peixe pequeno e claro, que se adapta bem ao corte transversal e tem muito boa rentabilidade. Já o Saithe é mais escuro e tem sabor mais forte. Esta variedade é a mais importada, sendo muito usada na preparação de bolinhos, saladas e ensopados de bacalhau.</p>
<p style="text-align: justify;">Da região do Pacífico provém o Cod Gadus Macrocephalus, também é comercializado como bacalhau do Porto. No entanto, apresenta características peculiares: rabo e barbatanas com extremidades brancas e coloração mais clara, quase branca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O “verdadeiro”</strong><br />
Ao procurar um bacalhão, o consumidor deve buscar peças sólidas, firmes e sem manchas. Bem seco, ele não pode dobrar, o que seria indício de umidade interna, além de pesar mais. Deve estar recoberto por uma camada uniforme de sal. O bacalhau “verdadeiro” é largo e alto, com lombos bem grossos.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de dessalga leva entre 24 e 48 horas, sendo necessário trocar a água com regularidade, a cada seis horas, sempre mantendo sob refrigeração. Isso possibilita também reidratar o peixe. O tempo varia conforme o seu tamanho, quantidade e o nível de sal que cada receita pede. O bacalhau desfiado deve ser dessalgado por seis horas. Para acelerar o processo, pode-se utilizar leite em vez de água.</p>
<p style="text-align: justify;">Para conferir a conclusão do processo de dessalga, é só puxar um pedaço de carne do meio da posta e colocá-lo na boca. O sabor deve ser suave, sem predominância do sal. Como é de se imaginar, as lascas menores perdem sal mais rapidamente. Para quem não tem tempo ou paciência para dessalgar o peixe, trocando a água a cada seis horas, por dois dias, hoje é possível encontrar bacalhau dessalgado e congelado.</p>
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		<title>Feito em casa</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 13:31:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia]]></category>

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		<description><![CDATA[COM APENAS 29 ANOS, o chef Magnus Nilsson tem despertado a atenção dos críticos para o seu Fäviken, restaurante com apenas 14 lugares em Järpen, Suécia, que ocupa o 34º lugar no ranking dos melhores do mundo pela respeitada revista Restaurant. Destaque não apenas para a qualidade dos pratos, mas para os ingredientes utilizados, a [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">COM APENAS 29 ANOS, o chef Magnus Nilsson tem despertado a atenção dos críticos para o seu Fäviken, restaurante com apenas 14 lugares em Järpen, Suécia, que ocupa o 34º lugar no ranking dos melhores do mundo pela respeitada revista Restaurant. Destaque não apenas para a qualidade dos pratos, mas para os ingredientes utilizados, a maior parte deles procedente do próprio restaurante. O chef é mestre na arte de defumar, fermentar, maturar ou apodrecer controladamente as bactérias envolvidas no processo. Fácil de entender: quando vamos aos supermercados, temos nossos sentidos para as gôndolas repletas de vidros de geleias ou conservas, mas quando descobrimos que essas guloseimas são artesanais o apelo é muito maior.<span id="more-1190"></span><!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Quem visitou cidades do interior sabe do que estamos falando. Difícil não se render à tentação de comprar ao menos um pote de doce de leite ou uma conserva de picles ou pimenta, por exemplo. A arte de conservar os alimentos remonta a uma época em que não era fácil mantê-los refrigerados. As donas de casa tinham (e algumas ainda têm) vasto repertório e habilidade para realizar diferentes processos, da secagem dos ingredientes à defumação.</p>
<p style="text-align: justify;">O Livro das Conservas, com 352 páginas, organizado por Lynda Brown, Carolyn Humphries e Heather Whinney, é uma “enciclopédia” sobre o tema. Elas ensinam algumas técnicas, os melhores ingredientes para conservar em azeite, salgar e defumar carnes e pescados. Também dão dicas do preparo de geleias de frutas e de como fazer uma boa conserva. Entre as melhores frutas para congelar estão damascos, cranberries, amoras, mirtilos, ameixas, pêssegos, framboesas, groselhas e maçãs. A acerola, a uva sem semente, a pitanga, o marmelo e a laranja podem, segundo elas, ser estocadas inteiras. As demais frutas devem ser preparadas antes e depois congeladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os ingredientes clássicos no preparo de geleias são as frutas suculentas que apresentam casca fina, por exemplo, morangos, amoras e framboesas. A quantidade de açúcar no preparo das geleias não só altera o gosto, como determina a validade do produto. “A geleia, com quantidades iguais de açúcar e fruta, pode ser guardada por 12 meses. Já a mais frutada, com ¼ a menos de açúcar, pode ser conservada por seis meses. A geleia semidoce, em que o açúcar corresponde à metade das frutas, deve ser refrigerada e consumida em um mês”, orientam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Salgados</strong><br />
Sal, vinagre, álcool, gordura, azeite, nos países às margens do Mediterrâneo, são utilizados tradicionalmente como conservantes naturais. “Tanto o óleo quanto a gordura animal proporciona uma proteção para o alimento, evitando que entre em contato com o ar”, diz o livro. A carne deve ser salgada para perder a umidade. Consideradas versáteis, as conservas salgadas, como relish, chutney e picles, são mais fáceis de serem preparadas. Para o chutney (misturas agridoces de hortaliças, frutas, especiarias e frutas secas cozidas até ficar macias), a variedade de ingredientes é ampla: ameixa, amora, manga, nectarina, abobrinha, alho, beterraba, cenoura, vagem, entre outras. Os picles requerem mais legumes duros e frutas firmes. Conforme os ingredientes utilizados no líquido de imersão, eles serão picantes, salgados ou agridoces.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Defumados</strong><br />
A fumaça das brasas dos fogões de lenha servia no passado (em algumas regiões ainda servem) para defumar as carnes penduradas próximas ao teto. Antes, apenas animais de criação e pescados frescos passavam pelo processo. Hoje, defumam-se amêndoas, amendoins e castanhas.</p>
<p style="text-align: justify;">No processo de defumação a quente, pode-se utilizar as panelas Wok. Para isso, é preciso forrá-las com papel alumínio. A tampa transparente permite acompanhar todo o processo: o cozimento e os níveis de fumaça. É necessário manter a tampa bem fechada e monitorar o fogo para controlar a quantidade de fumaça.</p>
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		<title>Passado sempre presente</title>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2013 14:21:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Dorneles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei quantas vezes fui a Paraty (município litorâneo no extremooeste do Estado do Rio), desde os anos 1970/1980 e, a cada a viagem, tive o prazer de encontrar um cenário diferente. Aqui, uma Paraty repleta de histórias; ali, somentes memórias; acolá, cultura, casos e casos. De vez em quando um temporal faz que vai [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não sei quantas vezes fui a Paraty (município litorâneo no extremooeste do Estado do Rio), desde os anos 1970/1980 e, a cada a viagem, tive o prazer de encontrar um cenário diferente. Aqui, uma Paraty repleta de histórias; ali, somentes memórias; acolá, cultura, casos e casos. De vez em quando um temporal faz que vai levar tudo rio abaixo, mas a bonança faz ressurgir uma outra cidade, ainda mais instigante. A primeira vez, estava acampado em Trindade, quase na divisa com São Paulo, à época, uma pacata vila de pescadores, cuja ligação com a Rio-Santos era feita por estrada de terra; quando chovia ninguém chegava, nem saía de lá. Lembro que saboreamos um delicioso Camarão ao Catupiry, no Café Paraty (Rua do Comércio, 253), Centro Histórico. Os limites da cidade não iam muito além dali.<span id="more-1186"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Voltei em minha lua de mel. Mudou, como sempre muda, mas nada muito significativo. Percorri mais as ruas forradas de pedra, um sabão em dias de chuva; um tormento para os finos saltos femininos. Ainda havia maior concentração de moradores no Centro Histórico, com algumas casas de comércio, bares e restaurantes aqui e ali. Fomos ao porto, de onde partem as escunas para os passeios pelas ilhas vizinhas; ao mercado, à praia do Jabaquara, onde o pessoal se lambuza na lama negra, dizem que curativa; a uma praia de pescadores, a alguns quilômetros, onde não havia ninguém. Muito propícia a quem está em lua de mel, evidentemente.<figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1188" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/passado-sempre-presente-2.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;">Demorei alguns anos a voltar, e quando o fiz, já encontrei uma outra cidade. Ao longo da avenida que une o centro à Rio-Santos, inúmeras casas e estabelecimentos comerciais. Ao redor do recém-construído terminal rodoviário, um outro bairro, com moradias, comércio, pousadas. O Centro Histórico, desta vez, passou por uma “reforma”, sem perder sua originalidade. As igrejas, que antes pareciam prestes a desabar, agora estão aprumadas e abertas à visitação. A cidade também cresceu além do rio, com diversas pousadas e residências.</p>
<p style="text-align: justify;">A última vez que estive em Paraty foi há uns três anos, logo após uma enchente do Rio Paraty, que destruiu vários bairros ribeirinhos. Ainda chove muito, o Centro Histórico está cheio de poças d’água, mas não perde seu brilho. Meu objetivo desta vez é produzir um caso para minha tese de mestrado, sobre a comunicação do turismo no Brasil. Converso com vários personagens da cidade, entre eles, Seo Zezito, um octagenário que tinha sérias críticas à situação econômica de Paraty. Na sua opinião, o turismo não trouxe nenhum benefício ao município, ao contrário, deixou-o mais pobre.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Seo Zezito gostaria de ver seriam indústrias, mesmo que de pescados, que trariam incentivos e maiores rendimentos aos moradores nativos, grande parte deles empregada no turismo. Conversei também com donos de pousada, artesãos e personagens que circulam pela cidade e fazem a festa dos turistas. Não sei se ainda hoje está por lá o “Jack Sparrow”, pirata dos bons, que perdeu tudo na enchente, inclusive a mulher, que o abandonou com os filhos; e o “Negro liberto”, que fazia ponto bem em frente da igreja, onde outrora fora um mercado de escravos.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, as ruas de Paraty fervilhavam de turistas, muitos deles desembarcados de cruzeiros ancorados na baía. Franceses, argentinos, alemães, que não se importam com a chuva, nem com as poças de água, apenas em desvendar as belezas e os mistérios dessa cidade. Há muito que ver, além do casario colonial do Centro Histórico. O Chafariz da Pedreira, logo na entrada, inaugurado em 1853; a antiga Cadeia Pública, a Igreja de Santa Rita de Cássia, a Rua do Fogo, a única que manteve seu nome primitivo; a Rua da Praia e o Mercado de Peixes, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o Forte Defensor Perpétuo e a Casa da Pólvora.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 650px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1187" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/passado-sempre-presente-1.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;">Para quem gosta de uma boa cachaça, o que não faltam nos arredores são engenhos, tais como da famosa Muricana e o da Boa Vista. Um pouco mais distante, está o Quilombo do Campinho, cujos moradores procuram manter o modo de vida de seus antepassados escravos; e pouco mais adiante, as praias de Trindade, descaracterizada, mas ainda encantadora. Entre as festas populares, as mais famosas são o Festival da Pinga, a do Divino e a de Santa Rita. Em julho, chegam os convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que já se tornou tradicional e deu visibilidade mundial ao município . O evento, que cresce a cada ano, recebe escritores e grandes nomes da literatura brasileira e do exterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Por um motivo ou por outro, é sempre bom conhecer Paraty. Para quem sai de São Paulo, as opções são a Rio-Santos, a partir de Santos, próximo do Guarujá; a Trabalhadores/Carvalho Pinto/Tamoios, ou a Dutra, seguindo pela Oswaldo Cruz, a partir de Taubaté até Ubatuba; de lá, até Paraty, pela Rio-Santos. Quem vem do Rio de Janeiro, é só seguir pela Rio-Santos.</p>
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		<title>Cabeça a prêmio</title>
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		<pubDate>Tue, 07 May 2013 14:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Margarete Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>

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		<description><![CDATA[O CONSUMIDOR BRASILEIRO vai trabalhar até o mês de maio para pagar os impostos de 2013 devidos ao governo, e só daí em diante ganhar o suado dinheiro para si. E olha que a lista é longa, impostos sobre a renda, contribuição previdenciária – INSS e previdências oficiais –, contribuições sindicais, PIS, ICMS e IPI, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O CONSUMIDOR BRASILEIRO vai trabalhar até o mês de maio para pagar os impostos de 2013 devidos ao governo, e só daí em diante ganhar o suado dinheiro para si. E olha que a lista é longa, impostos sobre a renda, contribuição previdenciária – INSS e previdências oficiais –, contribuições sindicais, PIS, ICMS e IPI, impostos sobre o patrimônio, IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR, as muitas taxas como limpeza pública, entre outras. Desta forma, é natural que ele, em algum momento, entre no “vermelho”, acabe inadimplente ou como se dizia antigamente com o “nome sujo”.<span id="more-1161"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O pior é que, além de padecer com a falta de crédito na praça, a pessoa pode sofrer outros tipos de penalidades e constrangimentos, como ser eliminado em uma seleção de emprego. Como assim? É que o Tribunal Superior do Trabalho (TST), desde o primeiro trimestre do ano passado, determinou que qualquer empregador poderá definir a contratação de um funcionário verificando se o nome do candidato consta em algum cadastro de restrição de crédito, como Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou Serasa. O órgão garante a consulta aos cadastros de restrição ao crédito antes de admitir um funcionário.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse expediente já é comum para quem almeja uma vaga através dos concursos públicos. Mesmo aprovado em todas as fases, o candidato precisa estar adimplente para assumir um determinado cargo. Caso contrário, o esforço foi em vão. Não é raro se deparar com condutas abusivas. Por exemplo, a inadimplência configurava um motivo para demissão de funcionários, como sugeria uma lei de 2010, que foi derrubada.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile alignright thin" style="width: 252px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1182" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/imagem.jpg" /></figure></p>
<p>Dever na praça também engessa a vida financeira de qualquer um. A pessoa fica impossibilitada de abrir conta-corrente e adquirir cartão de crédito. No entanto, estar com a corda no pescoço não impede o devedor de tirar passaporte ou visto de entrada em outros países. De acordo com o Serasa, a locomoção de uma pessoa somente pode ser restringida por ordem judicial e jamais por causa de débitos inscritos em cadastros de restrição.</p>
<p style="text-align: justify;">Arcar com as dívidas pode trazer consequências à saúde física e emocional, em decorrência da angústia, ansiedade e depressão. É comum o endividado esconder o fato dos amigos e familiares por receio de ser julgado como irresponsável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rédeas curtas</strong><br />
É possível encontrar livros e até mesmo sites com dicas de como sair do vermelho. Como a necessidade de realizar um orçamento doméstico é consensual, é preciso anotar todos os ganhos e gastos da família, por mês e por ano. Não vale incluir o limite do cheque especial ou do cartão de crédito! Nada pode ficar de fora, balas, cigarros, o cafezinho etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida, fazer uma lista das dívidas. As que têm as taxas de juros mais altas devem ser as primeiras da relação. Detalhe: todo o pagamento parcelado é maior do que os feitos à vista. Essa diferença é o juro cobrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esses dados em mãos, faça as contas: confira o quanto sobra de dinheiro após quitar as despesas fixas. É suficiente para pagar as dívidas? É preciso cuidado para não deixar parcelas pendentes, pois os juros e multas elevam a dívida ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cartão de crédito</strong><br />
Embora o dinheiro não dê em árvore, é possível fazê-lo render um pouco mais. Para isso, são necessários alguns ajustes, por exemplo, eliminar novas dívidas, como trocar equipamentos domésticos sem necessidade, ou reduzir a ida a restaurantes, cinemas e teatros. O esforço temporário é válido! O ideal é que as dívidas velhas sejam substituídas por outras que possam ser pagas. A renegociação só é boa, se a taxa de juros estiver mais baixa, caso contrário, o melhor é ficar como está.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos tempos, o uso do cartão de crédito vem sendo discutido, inclusive, pelas operadoras dos mesmos, embora isso não signifique que elas estejam preocupadas com a dívida de seus clientes. Pelo contrário, muitas pessoas utilizam o limite como renda pessoal, o que pode se tornar uma “bola de neve”. A situação piora quando entram no crédito rotativo. Para quem ainda mantém as contas em dia, é importante não ceder à tentação de adquirir vários cartões de crédito, no máximo dois. As faturas devem ser pagas integralmente na data de vencimento.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, se a situação fugir de controle, não adianta rezar e pedir intervenção divina para ganhar na loteria ou coisa parecida. O melhor mesmo é procurar a administradora e fazer um acordo para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento. Quando a pessoa é correntista de banco, o ideal é fazer empréstimo do tipo Crédito Direto ao Consumidor (CDC), para liquidar a dívida do cartão, e pagar este empréstimo em parcelas. Os juros do CDC costumam não ultrapassar 3% ao mês, ou seja, bem menores que as taxas praticadas pelas operadoras de cartão de crédito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Justiça</strong><br />
Na maior parte das vezes, quem deve para o cartão de crédito também extrapolou no cheque especial. Procurar a gerência do banco e solicitar a contratação de um empréstimo do tipo CDC é uma alternativa para fugir dos juros mais altos. Além disso, em algumas instituições é possível antecipar a restituição do Imposto de Renda, férias, 13º salário ou fazer um empréstimo consignado em folha de pagamento, que tem juros ainda menores.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o consumidor estiver impossibilitado de fazer um acordo ou um financiamento para pagar seus débitos, a saída é procurar a Justiça. Ele deve entrar com uma ação judicial. Nela, pode questionar os juros cobrados. Vale destacar que as taxas não podem ultrapassar à média do mercado, divulgada no site do Banco Central (Bacen), a capitalização de juros (que é vedada pelo STF), e a cobrança de multas indevidas (acima de 2%, conforme Código de Defesa do Consumidor). Os valores descontados devem ser consideráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra alternativa que tem se tornado comum são os “Feirões Limpa Nome”, do Serasa. Durante esses eventos, a instituição orienta os inadimplentes a que façam suas contas e estudem uma proposta que se encaixe no seu orçamento, antes de pagar a dívida. É importante ter em mãos todas as informações que podem ajudar naconversa, como as contas em atraso e as cartas de cobrança.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor, o nome do consumidor deve ser excluído dos cadastros negativos após cinco anos, mesmo que a dívida não tenha sido quitada, mas sua dívida com a empresa continua vigente. O prazo máximo para a retirada do nome do consumidor dos cadastros do Serasa e SPC é de cinco dias após o pagamento do débito.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante estar atento, pois muitas empresas estão “renovando” o cadastro no SPC/SERASA, antes que este complete cinco anos, alegando que o consumidor teria feito uma “renegociação” da dívida, que não fora paga. Esse expediente visa manter a restrição por mais cinco anos e forçar o mesmo a pagar o valor da dívida, acrescido de juros, multas e outros encargos, muitas vezes abusivos.</p>
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		<title>Antonio Herbert Lancha Junior: Coma sem culpa na medida certa!</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 18:14:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Dorneles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao contrário da maioria dos nutricionistas ou nutrólogos, este aqui não incentiva dietas. Na sua opinião, emagrecer ou chegar à “medida certa”, como costuma dizer, é tudo uma questão de saber escolher bem o alimento e, claro, dedicar-se aos exercícios físicos. Graduado pela Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), onde é [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ao contrário da maioria dos nutricionistas ou nutrólogos, este aqui não incentiva dietas. Na sua opinião, emagrecer ou chegar à “medida certa”, como costuma dizer, é tudo uma questão de saber escolher bem o alimento e, claro, dedicar-se aos exercícios físicos. Graduado pela Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), onde é professor titular, com mestrado e doutorado em Nutrição Experimental, Antonio Herbert Lancha Jr. observa que a questão da obesidade nos dias de hoje, é muito mais comportamental do que de excesso no consumo de alimentos. Lembra que herdamos de nossos ancestrais Hominídeos uma tendência natural a armazenar gorduras no corpo, diante das dificuldades em obter alimentos em determinadas épocas do ano, seja por causa do clima, seja devido ao medo dos predadores de então, muito mais fortes. Maratonista nas horas vagas, o professor desenvolve estudos na USP, com programas voltados ao público mais carente. Em paralelo, participou recentemente como nutricionista do quadro “Medida Certa”, exibido pela Rede Globo, onde o protagonista era o ex-jogador Ronaldo “Fenômeno”.<span id="more-1160"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como o homem moderno reage, entre as tentações do consumo desenfreado de alimentos e os cuidados com a forma física?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>O homem consome alimentos por vários fatores: biológicos, sociais, instintivos, pelas lembranças de infância (o aroma, a comidinha que a vovó fazia). O faz com tanto prazer que associa o ato de comer a eventos ou festividades, daí o termo “comemoração”. Por outro lado, consumir alimentos para ele tem o bônus do prazer e o ônus, representado pelo colesterol, glicemia e outros problemas. Também vive entre o prazer do consumo e a preocupação estética, pois o corpo deve estar de acordo com os padrões sociais. Depois que ele come, vem a cobrança e a culpa por ter consumido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><figure class="full-width-mobile alignleft thin" style="width: 288px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1178" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/entrevista-1.jpg" /></figure></p>
<p>Mas então, ele pode comer sem culpa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de um aprendizado, é preciso ter mais informações. Por exemplo: quando ele vai à Disney com os filhos, às vezes, deixa de comer um hot-dog ou um sorvete, como se aquilo fosse um pecado. Ele não precisa deixar de comer o que gosta, da mesma forma que as pessoas não devem fazer dieta, apenas aprender a se alimentar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As pessoas têm o discernimento para escolher o alimento correto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Todo mundo tem o principal, a inteligência; só é preciso estar preparado para produzir e colher os resultados. Muita gente confunde a pressão do trabalho com a vontade de comer. Isso se explica porque a região hipotalâmica do cérebro, que sente a pressão, é vizinha da que estimula a vontade de comer. A ansiedade é interpretada como fome, porque ela faz uma leitura errada e acaba comendo, quando não é necessário.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Isso leva a pessoa a engordar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ato de engordar é natural do homem. O nosso ancestral Hominídeo vivia em um ambiente hostil para obter alimentação. Então, quando ele tinha condições, comia muito e engordava para compensar os seis ou sete meses em que ficava carente de alimentos. O tempo passou e nada mudou, engordamos porque herdamos essa característica. Também foram reproduzidos em nossos genes, além da propensão à obesidade, problemas como hipertensão e glicemia, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A palavra dieta tinha, na Grécia Antiga, outro significado. Traduzia uma filosofia, um modelo de vida a ser seguido; não envolvia apenas a alimentação. Quando ela ganhou esse sentido mais restrito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Realmente há um uso impróprio do termo. Dieta tem mais a ver com o que a pessoa pode fazer em relação à mudança de comportamento, o que comer mais ou menos.</p>
<p style="text-align: justify;"><figure class="full-width-mobile  thin" style="width: 620px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1176" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/Coma-sem-culpa-na-medida-certa-home.jpg" /></figure></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como escolher o alimento corretamente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É preciso ter noção de que um prato de massas, por exemplo, vai trazer menos prejuízo do que um bife. O carboidrato será transformado em gordura, enquanto a carne já é a gordura pronta. Muitas vezes, a pessoa que evita comer carboidrato à noite acaba assaltando a despensa de madrugada, atrás de balas, chocolate etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Até que ponto a glicose é necessária ao homem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A glicose é fundamental, o homem necessita de pelo menos 760 calorias para movimentar o seu sistema nervoso central, o nosso HD. Ele usa o sono para reparar seu HD e a glicose, proveniente do carboidrato, tem papel importante nesse processo. A glicose é fundamental, principalmente para quem desenvolve trabalhos intelectuais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Agora, em resumo, quais os principais fatores que levam à obesidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, a vida moderna, que é cada vez mais confortável. Antes, todo e qualquer trabalho exigia gasto de calorias. O jornalista, por exemplo, quando escrevia na lauda em uma máquina de escrever. Caso descobrisse que errou no final, tinha que escrever tudo de novo; hoje, ele corrige com dois cliques no teclado. A própria Internet, que auxilia nas compras ou ajuda a fazer pagamentos, acabando com as filas nos bancos, contribui para reduzir a queima de calorias. A equação é simples: é preciso aumentar os débitos, para reduzir os créditos e com isso diminuir o saldo de gordura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com o passar dos anos, a alteração do metabolismo pode ser responsabilizada pelo excesso de gordura no corpo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não, a obesidade é mais consequência das condições socioeconômicas. Aos 20 anos, o jovem não tem condições de frequentar bons restaurantes ou de tomar um vinho mais caro. Com o decorrer dos anos, ele passa a se alimentar melhor, a beber socialmente com os amigos, o que reduz a importância da alteração metabólica no acúmulo de gordura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Até que ponto a questão hormonal influi na obesidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os hormônios são responsáveis por apenas 5% dos processos. Nesse caso, basta um acompanhamento médico para obter bons resultados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há riscos para as pessoas que buscam perder peso, tomando injeções de hormônios e testosterona?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há sim, pois quando se injeta hormônio, todos os mecanismos naturais do nosso corpo são deletados. O organismo perde a capacidade de produzir mais hormônio e a ação desses produtos pode estimular as células tumorais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você é radicalmente contra essas dietas da moda?<figure class="full-width-mobile alignright thin" style="width: 358px;"><img alt="" class="responsive wp-image-1179" src="/" data-src="wp-content/uploads/2013/05/entrevista-2.jpg" /></figure></p>
<p></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, pois elas trazem informações que acabam penalizando um alimento ou um grupo deles. As dietas trazem prejuízos metabólicos e emocionais, que resultam em distúrbios graves, como bulimia e anorexia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um de seus artigos, você fala sobre a caipirinha e o seu teor calórico&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Exato, eu cito a caipirinha de saquê, cujo teor calórico é bem menor que de um outro destilado, a vodka, por exemplo. É preciso lembrar que o álcool é o segundo fator mais eficiente para engordar. De cada 100 gramas de gordura ingeridas, 98 viram gorduras; enquanto o álcool, de cada 100 gramas, 95 se transformam em gorduras. Isso não significa que não se deva beber. É preciso valorizar o consumo, ritualizá-lo e não banalizá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a diferença entre gordura e gordura visceral?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gordura que vemos em primeiro plano é a subcutânea; a visceral está entranhada, nos homens, na região do abdômen, e nas mulheres, na região femural. O álcool é um dos principais responsáveis pelo acúmulo da gordura visceral, pois ele é processado no fígado e lá vira gordura. A gordura visceral atua biologicamente e ativa o diabetes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês fizeram um estudo na Universidade de São Paulo divulgado pelos jornais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa pesquisa envolveu 36 mulheres, que se submeteram à lipoaspiração. Após dois meses, metade do grupo passou a fazer exercícios físicos e a outra permaneceu sedentária. Quatro meses depois, observou- se que no grupo que fez exercícios não houve crescimento da gordura visceral, enquanto nas sedentárias houve. Daí a importância do exercício físico na remoção da gordura visceral. Após a lipo, ocorre o desencadeamento de um mecanismo de reposição de gordura no organismo, não no mesmo local de onde foi retirado o excesso de gordura subcutânea, mas entre os órgãos. Essa que chega é a gordura visceral, muito mais prejudicial à saúde.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a experiência de participar do quadro “Medida Certa”, com o ex-jogador Ronaldo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi interessante, pois ele é uma pessoa que gosta de desafios. Se cumpriu o programa com mais afinco, não foi por ter sido um atleta, mas por ser determinado. Haja vista que ele passou por duas cirurgias sérias e voltou, inclusive, a jogar em alto nível. No caso do “Medida Certa”, se ele não tivesse feito atividade física, em paralelo, não ia emagrecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que contribuiu mais para o emagrecimento dele, a atividade física ou a mudança de comportamento alimentar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As duas coisas, tanto a mudança na alimentação, quanto os exercícios, aliados à sua disciplina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que representou para você participar do Programa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi muito gratificante; fiquei lisonjeado com o convite do Márcio Atalla, mas a responsabilidade foi bem além da visibilidade que o Programa proporcionou. Toda a ciência ganha com isso, pois emagrecer não é bola mágica, não é milagre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse trabalho de reeducação alimentar, aliado a exercícios físicos, é acessível apenas ao público de maior poder aquisitivo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nem sempre. Na escola de Educação Física, da Universidade de São Paulo, desenvolvemos, desde 1995, o Programa de Atividade Física para Pessoas Acima do Peso, aberto ao público em geral. Ali é feito um trabalho sobre a mudança de hábitos alimentares, junto com exercícios físicos, cujos resultados são analisados cientificamente. Os interessados podem ligar para (11) 3091-3182 e falar com Rosângela.</p>
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