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Paulo Goulart Filho – Um caso de família

Nascido em Curitiba (PR), há 48 anos, mas radicado em São Paulo, filho dos atores Paulo Goulart e Nicette Bruno e irmão das atrizes Beth e Bárbara, seria quase impossível que Paulo Goulart Filho não trilhasse os caminhos do palco. Hoje concilia as atividades de ator, produtor, diretor e coreógrafo, mas, durante muito tempo, foi bailarino e chegou a integrar diversas companhias de dança, entre elas, o Balé da Cidade de São Paulo, de onde se afastou em 2002. Desde essa época, tem se dedicado ao teatro. Atualmente, está em cartaz com o espetáculo “39 Degraus”, versão brasileira de “The 39 Steps”, de Alfred Hitchcock. A montagem nacional tem recursos de histórias em quadrinhos e o estilo de Monty Python e traz referências e músicas de outros clássicos “hitchcockianos”. Divide o palco com Danton Mello, Rosanne Mulholland e Henrique Stroeter. A peça fica em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso até o próximo dia 25 de agosto, mas deve ser levada a outro teatro paulistano e, depois, segue para outras capitais. Nesta entrevista, ele fala de sua infância, dos caminhos que o levaram à dança e à interpretação, da vida familiar etc.

Qual foi seu primeiro trabalho em televisão?
Foi na TV Tupi, em 1976, aos 11 anos, na novela “Papai Coração”, que reunia a família toda, meus pais, minhas irmãs e a minha avó. Depois, estreei no teatro, aos 15 anos, na peça “Dona Rosita”, de Garcia Lorca, com direção do Antônio Abujamra. Nessa época, eu também era esportista e fazia ginástica olímpica. Na realidade, a minha adolescência foi mais voltada para o esporte do que para as artes, tanto que fui fazer
faculdade de Educação Física.

Como foi essa experiência?
Na faculdade, tinha uma matéria que se chamava rítmica. O professor colocava todo mundo para dançar. Tinha um método denominado “Dança e Educação Física”. Comecei a ter contato com a dança através dessa atividade, e daí ele montou um grupo e comecei a dançar. Estava com 19 anos. Foi através da dança que acabei focando para o lado artístico.

Quando você debutou profissionalmente?
Aos 20 anos. Fiz vários shows e espetáculos com Abelardo Figueiredo, um dos maiores empresários do mundo artístico brasileiro, diretor artístico do Palladium. Integrei o Balé da Cidade de São Paulo e algumas companhias, como a do Ismael Guizer e a do Luciano Borelli; fi z algumas turnês internacionais, sempre mesclando com o teatro.

Como você conciliava as duas linguagens: a de ator e a de bailarino?
Elas são altamente complementares. O trabalho físico para o ator é fundamental. A dança me deu uma consciência corporal em que posso utilizar o meu corpo de diversas maneiras na composição de personagens. O corpo é uma ferramenta para o ator. Esse domínio da dança me ajuda como ator e vice-versa. Como ator, me dava uma percepção de personagem para dançar; mesmo dançando, eu estava interpretando algum sentimento ou emoção que era o lado do ator que me possibilitava ter essa consciência.

Qual era o seu objetivo ao cursar Educação Física?
Eu era ginasta olímpico. Fui campeão paulista e brasileiro, mas machuquei o joelho. Cheguei a trabalhar como técnico de ginástica olímpica, porém, quando comecei a dançar, o meu foco desviou. Realmente, a paixão me puxou para o lado da dança. Sou muito passional e tento fazer o que amo. Talvez em outras áreas, a pessoa vai fazer um determinado trabalho e se distancia por completo da sua vida pessoal. Com o artista é diferente. Trabalhamos com sentimentos e emoções. Não tem essa dissociação do que é trabalho, ou seja, o momento de trabalhar e o momento de viver.

Como foi a sua formação de ator?
Eu fui aprendendo na prática. Em casa, eu tinha uma escola particular. Trabalhei muito com os meus pais; eles foram os meus grandes mestres. Aprendi fazendo espetáculos bacanas e ruins, acertando e errando. A pessoa tem a formação escolar, pedagógica, mas o ator só aprende exercendo a profissão.

Você pretende voltar a fazer televisão?


Fiz pouca coisa em televisão, mas eu gosto. É que falta oportunidade. É algo que batalhei pouco em relação ao teatro. Teatro é uma paixão, tenho muito foco. A televisão é uma consequência que vai ocorrendo devido ao resultado do meu trabalho em teatro.

Suas filhas também estão trilhando a carreira artística? Qual a sua expectativa com relação a elas?
Essa é uma eterna batalha, cada um tem que seguir o seu caminho. Ajudo no que posso e dou conselhos. Como aprendi o ofício com os meus pais, procuro passar o meu conhecimento para elas. A minha fi lha mais velha, Clarissa, 28, é atriz teatral e agora está se lançando como cantora. Fico na torcida para que dê certo. A Luana, 26, está nos Estados Unidos; é jogadora de futebol e se formou lá em Educação Física. A caçula, Paula, está com 25 anos, é bailarina e integra o Balé da Cidade de São Paulo. Cada uma está trilhando o seu caminho e buscando o seu espaço, com o nosso suporte e o nosso apoio, mas com merecimento próprio.

 

Na sua opinião, qual a contribuição do teatro na formação pessoal? O que você pretende com o projeto “Teatro nas Universidades”?
O teatro, a exemplo das demais artes, é fundamental na formação do ser humano. Amplia o ponto de vista de mundo, abre as portas do conhecimento e ajuda na criação de um povo com análise crítica, que não aceita tudo. Desenvolvo esse projeto há nove anos. No começo, fi quei espantado como o jovem estava desconectado do mundo. Ele não tinha interesse por nada e só ia para a universidade assistir às aulas. Nas instituições que temos retornado, percebemos o estímulo pelas artes. Os estudantes estão indo ver teatro, perguntando quais serão as próximas peças, quer dizer, esse trabalho resultou na amplitude de visão que estou falando. Há alguns anos, fui para Londres e lá o teatro faz parte das atividades escolares desde a infância. Fui conhecer o Museu do Teatro e vi excursões de alunos pequenos. A criança, ao exercitar o fazer teatral, estimula a criatividade e a imaginação.

Você está em cartaz com a peça “39 Degraus”. Qual a sua avaliação dessa experiência?
Estou adorando fazer. Ela já foi apresentada em 2010, tivemos praticamente um mês para montá-la. Para quem assiste, é pura diversão, mas é difícil de fazer, tecnicamente falando. Eu e o Henrique Stroeter chegamos a fazer 50 personagens. As trocas de figurino são muito rápidas. Também tem um trabalho físico muito bacana. Os personagens são bem distintos, quase caricatos, estereótipos. Não é um espetáculo naturalista, realista. Ele quase beira o exagero, essa é proposta.

Você conta com um preparador para compor os seus personagens?
Não, eu sou muito intuitivo no processo criativo. Evidentemente, vou buscar referências. A gente costuma falar que o ator tem a sua malinha e vai enchendo-a com ferramentas. Na hora que é preciso compor um personagem, abrimos essa malinha. Por isso, quanto mais velho o ator, mais interessante ele fi ca porque experimentou mais. Quando preciso criar uma velhinha, busco referência na minha mãe, na minha avó, nos personagens que eu já vi.

O timing de vocês é perfeito. Há improviso?
Tem de ser. Até parece que tem uma coisa ou outra, mas é tudo marcadinho. O Alexandre Reinecke, diretor do espetáculo, preza por essa dinâmica, por esse ritmo. Eu acho que é um diferencial porque ele já foi montado praticamente no mundo inteiro: nos Estados Unidos, em Londres, na Alemanha, em Portugal, na Europa inteira. Temos algumas imagens de outras montagens e o diferencial é justamente essa dinâmica. Não perdemos o tempo, o timing.

Você vai produzir e interpretar Lampião no cinema?

Eu estou com o Bruno Azevedo, que é o diretor e meu sócio, indo para o Nordeste. Já visitamos o Rio Grande do Norte e Pernambuco; vamos retornar agora a Pernambuco e prosseguiremos até a Bahia e Alagoas. O fi lme será rodado todo no Nordeste. Já é uma pré-produção. Estamos em busca de patrocínio, captação. Pretendemos rodar no próximo ano.

Como surgiu o convite?
Eu estava fazendo um espetáculo chamado “Bixiga”, um musical sobre um dos bairros mais tradicionais da cidade de São Paulo, que tinha, além dos atores, orquestra ao vivo. Eu fazia um mestre de cerimônias que não chegava a ser nordestino, mas era um mestre de cerimônias bem brasileiro. Certo dia, recebi um e-mail da roteirista Nina Ximenes falando que havia assistido ao espetáculo. Ela é irmã de um dos músicos que tocavam no espetáculo. “Olha, eu escrevi um roteiro sobre o Lampião, e é você que tem que fazer o papel.” Fiquei surpreso, pensei que não tinha muito a ver. Na hora que li o roteiro, me apaixonei. Ator é assim, quando se apaixona por uma coisa, aí complica.

Qual é a sua expectativa com esse trabalho?
Eu não acredito em acaso. O roteiro chegou até mim por algum motivo. Vai ser uma grande oportunidade. É o primeiro protagonista que vou fazer em cinema. Além disso, trata-se de um tema incrível, de suma importância para a história nacional. Já estamos batalhando esse projeto há três anos. Estamos recebendo um apoio absurdo do Nordeste. Isso demonstra o quanto Lampião é importante para o País. Embora seja contraditório, é considerado por alguns, herói, e, por outros, vilão. O ser humano é assim, não é uma coisa só. Tanto que nós não iremos retratar e enaltecer somente os pontos positivos ou negativos dele. Vamos mostrar o lado perverso, mas, ao mesmo tempo, seus valores, seu romance com Maria Bonita e a relação com o bando. Existia um código de ética, de moral, fortíssimo dentro do Cangaço, que era seguido à risca. Vai ser uma grande produção, com ação, aventura, comédia e romance.

Há possibilidade de a sua família realizar um espetáculo que reúna todas as gerações?
Eu adoraria. Seria muito legal. Nada é impossível. Quem sabe, é questão de surgir um projeto bacana e conciliar as agendas. Na época do “Papai Coração”, nós fi zemos um espetáculo que se chamava “Papai, mamãe e companhia”, era um show da família, de variedades, com piadas, histórias, músicas. Faz mais de 30 anos.

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