Meu nome é legião
“Quando a paz sobrevém após a luta e a guerra, os dois lados em geral ficam exultantes. As pessoas voltam para casa e dão continuidade à vida de onde haviam parado quando a guerra começou, e se preparam para retomá-la. A vida readquire significado. Na Legião não funciona assim; o oposto é verdadeiro. De repente, não há mais propósito, não há mais direção. A agitação é rapidamente substituída pelo fastio, que por sua vez é rapidamente subjugado por um rápido declínio no moral. Segue o descontentamento, e o sistema começa a apodrecer.”
O texto acima é um fragmento da experiência de Simon Murray, que integrou por cinco anos a lendária Legião Estrangeira. Murray – hoje um bem-sucedido homem de negócios – esteve em São Paulo, em maio, onde palestrou e lançou o livro legionário – Cinco anos na lendária Legião Estrangeira, 424 páginas, da BEI Editora. Publicado em inglês em 1978, o livro já foi traduzido para diversos idiomas: francês, japonês, alemão e italiano, e alcançou a marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas.
A obra de Murray reúne suas memórias entre 1960 e 1965, quando esteve no plurinacional exército paralelo da França. À época, o país europeu enfrentava forte resistência ao seu domínio na Argélia, que culminaria com a independência daquele país. Ao contrário da maioria dos jovens bem-educados de então, ele abdica da vida tranquila e, aos 19 anos, se torna uma presença improvável entre mercenários de origens variadas – homens que de modo geral buscavam na Legião uma fuga, uma expiação
ou uma carreira. Ele não só lutou contra rebeldes argelinos, como também abriu estradas no deserto e suportou um rígido treinamento que marcou seu caráter para o resto da vida.
Após dar baixa, Murray parte para o mundo dos negócios e obtém êxito ao vislumbrar as possibilidades do mercado asiático e da telefonia móvel, quando ainda eram desconhecidas pela maioria dos investidores. O autor gosta de se definir como um “vendedor”. Mais recentemente, vem conquistando o mundo com suas façanhas esportivas, ao participar de competições em regiões como Saara e Antártica. Em 2004, aos 63 anos, tornou-se o homem mais velho a percorrer sem assistência o Polo Sul, em uma caminhada de cerca de 1.200 quilômetros. No trajeto, que durou 58 dias, ele esteve ao lado de Pen Hadow, famoso explorador, especialista no continente antártico.
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Índice da Edição 231clique
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