Luanda de madrugada
“Ondjaki” é o codinome literário do escritor angolano Ndalu de Almeida, autor de diversos livros, entre contos, romances, literatura infantil e poesia. Considerado um dos expoentes da nova geração de escritores africanos, lança agora no Brasil seu segundo romance, através da Editora LeYa, Quantas madrugadas tem a noite, 192 páginas. O autor, dono da frase, dita em entrevista, que “frequentar livros é frequentar mundos”, conduz o leitor até Luanda, cenário das diversas histórias que resultam no romance. Personagens como o professor Albino Jaí, o anão Burkina- Façam e o protagonista AdolfoDido, convivem na trama que flerta com o fantástico ao mesmo tempo em que traça um panorama atualizado da Luanda pós-independência. A oralidade se faz presente na narrativa, aproximando o leitor dos acontecimentos como se eles estivessem sendo contados ao redor de uma mesa repleta de birras (cervejas). Um breve glossário ao final do livro esclarece gírias e expressões regionais, que não atrapalham a fluência da leitura. “Ainda vais rir, mas prepara também o teu coração pra chorar, a vida é mesmo esse laço apertado, tem dias que lhe conhecemos os segredos – lhe desapertamos, outros dias lutamos só, nossas derrotas e lágrimas, e ficamos a olhar: o pescador se irrita com os nós da rede?”
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