Estilo Wang

por: Manoel Dorneles
Estilo Wang

Wang: formação brasileira, raízes orientais

A indústria da tecnologia da informação deslanchou no Brasil graças ao trabalho de alguns pioneiros, entre eles, o taiwanês Wang Chi Hsin, que em 1983, aos 25 anos, deu início às atividades da multinacional japonesa Epson no País. Ao mesmo tempo em que presidia a empresa – foram mais de 20 anos –, contribuindo para que ela se tornasse uma das líderes no setor de soluções de impressão, ele absorvia experiências no setor empresarial brasileiro, que hoje estão retratadas no livro recém-lançado Sucesso é… superar encrencas!

Aos 8 anos, Wang chegou com sua família a São Paulo, onde teve que praticamente recomeçar seus estudos. “Tive uma formação brasileira forte, mas permaneceram minhas raízes, pois mantive o convívio com a comunidade oriental paulistana.” No campo profissional, o início precoce no comando da Epson Brasil, que se reportava à unidade norte-americana, propiciou-lhe a oportunidade de conviver com pessoas das mais diversas culturas. Nesse contato, conta que aprendeu a respeitar as limitações e potencialidades de asiáticos, norte-americanos, europeus, latino-americanos…

A formação em arquitetura, além de cursos em direito e administração, somada à experiência profissional, deram a Wang uma visão gerencial com menos limitações, “sem ser tecnicista”. No livro, ele procura mostrar que “transformar crises em oportunidades” são aspectos realísticos em qualquer situação, e não apenas da cultura chinesa. “Certamente, turbulências trazem grandes oportunidades; basta a pessoa desejar ou enxergar o que vem à sua frente… Naturalmente, tem que estar apta (ter disponibilidade de recursos financeiros, de pessoas etc.) para aproveitar tais oportunidades, pois elas passam rapidamente e se evaporam.”

Wang julga oportuna a tendência dos brasileiros de desenvolver um forte relacionamento interpessoal, inclusive no campo profissional, parte significativa do nosso famoso “jeitinho”. Acredita que essa característica possa ser aproveitada e mais bem explorada por um gestor consciente. No entanto, considera depreciativo aos olhos de pessoas de outras nacionalidades o nosso excesso de “tapas nas costas”, em detrimento da objetividade. Claro que à medida que o País se globaliza e se eleva o nível de profissionalização, segundo ele, essas características vão se alterando, tornando as pessoas mais competitivas e conscientes de suas obrigações e comprometimentos.

Estilo WangSobre o título do livro, o autor considera que as piores “encrencas” a serem superadas no meio empresarial são a má-formação, a desonestidade, a personalidade deformada de um profissional ou empresário. Para eles, nada melhor que a multa, a falência ou a prisão. Em contrapartida, entende que se houver postura ética, o mercado dará oportunidades para que as dificuldades sejam superadas. Com base em suas experiências, revela que se tornou uma espécie de consultor, que vive hoje de pesquisar e identificar oportunidades de negócios.

“Invisto com meus recursos em estudos necessários para entender as possibilidades, restrições e potencialidades de faturamento. Feito isso, busco pessoas ou empresas dispostas a alocar recursos nessas oportunidades…”, revela Wang. Mais detalhes sobre como encontrar oportunidades ou dicas importantes para “superar encrencas” e ter sucesso profissional, ele relaciona de forma bem didática na sua obra, publicada pela Gente Editora, à venda em todas as livrarias.

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