Turma do funil
Enquanto espera pela melhoria da qualidade do ensino nas universidades brasileiras, o aluno procura se adaptar às constantes alterações no processo seletivo
Derivada da palavra latina vestibulu (espaço entre a porta e a escadaria da residência) o termo vestibular, usado desde 1911 para denominar o exame que habilita o aluno recém-saído do colegial aos cursos superiores. Entre os vários vestibulares existentes em quase todos os Estados, a referência continua sendo o da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), de São Paulo, que chega a reunir aproximadamente 150 mil alunos, para cerca de 11 mil vagas. No entanto, essa hegemonia pode estar com os dias contados perante a adoção do novo Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que contempla todas as escolas do País. Nem as polêmicas recentes – a última foi agora em outubro, com o vazamento de questões para alunos de Fortaleza (CE ) – parecem suficientes para derrubar o novo método.
Criado em 1998, o Enem consistia inicialmente em uma prova clássica de 63 questões, cujo principal objetivo era avaliar o aprendizado dos alunos e o nível do Ensino Médio em todo o Brasil. Organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a primeira edição, em 1998, teve cerca de 160 mil inscritos. Foi a primeira vez que uma prova unificada pôde ser aplicada em todo o Brasil. Passados mais de 10 anos, o número de questões e o grau de dificuldades do exame aumentaram, mas o seu objetivo continua o mesmo, ou seja, avaliar os conhecimentos dos estudantes que estão concluindo, ou que já concluíram, o Ensino Médio.
Durante todo esse período, ainda não se chegou a um consenso sobre a validade do exame. Há quem afirme que se trata apenas de uma tentativa do Ministério da Educação (MEC ) de reformular o currículo do ensino básico. Opinião referendada pelo próprio ministro Fernando Hadad, para quem o vestibular (no formato antigo) apenas privilegia a “decoreba”, em vez de estimular o desenvolvimento do senso crítico e do raciocínio. Ponto para o Enem que deverá ser, em pelo menos 30 universidades federais, a única forma de seleção para os cursos do primeiro semestre de 2012. Elas podem escolher entre quatro maneiras de utilização do Enem em seus processos seletivos: como fase única, primeira fase, fase única para as vagas remanescentes após o vestibular ou combinado ao atual vestibular da instituição.
Autoavaliação
A prova do Enem de 2011 foi realizada em dois dias e propôs aos mais de 6,2 milhões de alunos 180 questões objetivas de múltipla escolha e uma redação. Ao contrário dos vestibulares convencionais, cuja proposta é avaliar o conteúdo acumulado pelo estudante durante anos de escolarização, o Enem o coloca diante de situações-problemas e avalia as competências e habilidades adquiridas por cada um. É fundamental que o aluno utilize seu aprendizado em situações cotidianas.
Embora não seja obrigatório, o exame é uma oportunidade de o estudante fazer uma autoavaliação. A pontuação é usada no Programa Universidade para Todos (ProUni) e no processo seletivo de escolas, como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). Aliás, a Região Sudeste foi a que respondeu pelo maior volume de inscritos, mais precisamente, 2.312.312 estudantes.
Para a edição de 2012, estão previstos dois exames, um no primeiro e outro no segundo semestre. De acordo com o Inep, as provas do “primeiro” Enem 2012 estão programadas para os dias 28 e 29 de abril. Exatamente por se tratar de uma prova voluntária, mesmo quem já terminou o Ensino Médio há muito tempo pode prestar o Enem e participar do vestibular unificado. Além disso, é possível realizar o Enem outras vezes para melhorar a nota.
Alternativas
O resultado do Enem também beneficia o aluno inscrito no ProUni, criado pelo governo em 2005, com a proposta de conceder bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. As bolsas dos programas são distribuídas de acordo com as notas obtidas pelos estudantes no Enem. As melhores notas, evidentemente, têm direito à bolsa em sua primeira opção de curso e instituição.
Além do bom desempenho, há outros aspectos que credenciam o candidato à bolsa. Ele precisa apresentar renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos; ter cursado todo o Ensino Médio em escola pública, ou parte dele ou todo em escola privada com bolsa integral. Quem não se enquadra nos critérios de renda e estudo em escola pública também pode se candidatar, caso tenha algum tipo de deficiência. Da mesma forma, professores da rede pública de Ensino Básico, desde que em efetivo exercício do magistério, integrando o quadro permanente da instituição e concorrendo a vagas em cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia.
A partir do ano passado, a nota do Enem tornouse obrigatória para a solicitação do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), programa do Ministério da Educação destinado a financiar prioritariamente estudantes de cursos de graduação. Para candidatar-se, o estudante deve estar regularmente matriculado em instituições de ensino não gratuitas cadastradas no programa, e também em cursos com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
O ProUni também reserva cotas para afrodescendentes e indígenas. O percentual de bolsas destinadas aos cotistas é igual ao percentual da população negra, parda e indígena de cada Estado, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, o candidato cotista deve atender aos demais critérios de seleção do programa.
Inscrição Gratuita
As chamadas políticas afirmativas, que contemplam afrodescendentes, indígenas, egressos de escola pública etc., estão presentes também no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), programa do governo federal, que teve sua primeira edição em 2010. Para se candidatar às instituições federais e estaduais de Ensino Superior, o aluno precisa passar pelo Enem e, a partir da nota obtida no exame, disputar uma vaga em uma dessas escolas.
A inscrição ao programa é gratuita e deve ser feita via Internet. O candidato precisa informar o número de inscrição do Enem e escolher, por ordem de preferência, até duas opções nas vagas ofertadas pelas instituições participantes do programa. Em determinados cursos, pode haver duas modalidades de concorrência pelo Sisu: ampla concorrência e ações afirmativas.
Importante: quem optar pelo sistema de cotas vai disputar apenas com candidatos que fizeram a mesma opção. O estudante pode se inscrever no ProUni e no Sisu, porém, quem realiza matrícula em instituição de Ensino Superior pública perde o direito à bolsa do ProUni.
Mais informações
www.enem.inep.gov.br
prouniportal.mec.gov.br
sisu.mec.gov.br
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