Leadership em tela cheia
Reconhecida pela qualidade de seus acessórios para informática, a empresa já colhe os primeiros frutos dos investimentos na produção de desktops e notebooks

O município paranaense de Quatro Barras, a menos de 20 quilômetros de Curitiba, mais conhecido por abrigar o marco zero da famosa “Estrada da Graciosa”, que leva às cidades de Morretes e Paranaguá, está se tornando também uma referência em tecnologia da informação. O seu distrito industrial, onde já funcionava uma unidade da Positivo, acolhe desde abril do ano passado uma moderna fábrica de computadores e notebooks da Leadership. Uma das principais distribuidoras brasileiras de acessórios de informática, desde 1991, a empresa conta agora com duas fábricas de hardwares – a primeira delas instalada em Ilhéus (BA) no final de 2009, para atender as regiões Norte e Nordeste.
Entre ampliar as instalações baianas e abrir um novo centro de produção na Região Sul, a Leadership ficou com a segunda opção. “Aqui, estamos próximos do Porto de Paranaguá, por onde entram as matérias-primas; mas principalmente, estamos muito perto de Curitiba e dos mercados do Sul e Sudeste”, justifica o diretor industrial Rafael Montello. Com uma área de 5,1 mil m², a nova fábrica terá capacidade de produzir até 60 mil máquinas ao mês, quando estiver totalmente instalada. Está prevista para o futuro uma ampliação simples, que aumentará a produção em mais 20 mil equipamentos. Oferecerá também 150 empregos diretos e 350 indiretos.
Montello leva a reportagem para conhecer a fábrica, que está funcionando ainda com apenas 30% de sua capacidade. A produção diária gira em torno de 800 a 1.000 desktops, mas deverá crescer, a partir deste mês (fevereiro), quando terá início a fabricação de notebooks, cujo PPB (Processo Produtivo Básico) foi aprovado exatamente no final de dezembro. Em resumo: PPB significa que 60% dos custos de produção devem ser nacionais. “Nesta nova fase, vamos criar mais três linhas de produção; uma para notebooks e as outras duas para a montagem de pendrives, fontes de alimentação e placas de memória SMD”, revela o diretor.
Por toda parte, durante a visita, é possível notar os cuidados para que a produção obedeça aos mais rígidos padrões de qualidade exigidos pelas normas internacionais. Eles vão de detalhes no armazenamento dos insumos ao controle de qualidade, que perpassa as várias etapas do processo. Aliás, segundo Montello, a fábrica praticamente já nasceu com as certificações ISO 9000 e ISO 14000, que remete às questões ambientais. Um exemplo da validade dessas medidas está nos índices de retrabalho – equipamentos que retornam para a linha de montagem –, que é de 1,5%, quando o aceitável é de até 5%.
O processo de fabricação tem início com a separação de drives, HDs, placas-mãe e demais componentes, em um recinto à prova de estática. Dali, esse material é enviado para a seção de solda, enquanto em uma outra tem início a montagem dos gabinetes. Os testes são realizados durante as várias fases do processo, sob a supervisão do coordenador de qualidade Claudemir dos Santos. No pós-teste, o equipamento é submetido a uma rotina de trabalho de todas as suas peças, que consome várias horas. Uma vez aprovado, o produto é embalado e levado ao depósito, de onde segue para os diversos distribuidores Leadership em todo o País.
Mão de obra qualificada
Antes da visita à fábrica da Leadership, em Quatro Barras (PR), o diretor industrial Rafael Montello, acompanhado do gerente comercial Dani Kaczenilk e os representantes da empresa junto à Kalunga, Fábio Neme e João Carlos Rocha, falou sobre o início do projeto. Responsável pela instalação da unidade de Ilhéus (BA), coube a ele prospectar um novo local para a nova fábrica. “Uma ideia seria ampliar as instalações de Ilhéus, mas preferimos mantê-la como está para atender ao mercado nordestino, um dos que mais crescem no Brasil atualmente.” Para as regiões Sul e Sudeste, ele tinha como opção os municípios de São José dos Pinhais, Piraquara e mesmo Curitiba, mas ficou com Quatro Barras, cortada pela BR-116, cuja prefeitura ofereceu as melhores condições. “Além da proximidade do porto e de Curitiba, são apenas 360 quilômetros da porta da fábrica até a Marginal, em São Paulo”, emenda o diretor.
Segundo Montello, pesou na escolha também o fato de a região de Curitiba ter atualmente o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, o que representa, por exemplo, mão de obra mais qualificada. Explica que outra preocupação da Leadership, ao fazer essa opção, foi de dar um passo após o outro, para não queimar uma marca consolidada e muito respeitada no mercado. O projeto industrial da empresa vai ao encontro da tendência do mercado brasileiro, que no último trimestre de 2010 esteve dividido entre 51% para notebooks e 49% para desktops. “Ao contrário do que muita gente imagina, os notebooks hoje são o sonho de consumo dos emergentes da classe C; enquanto os da D e E ainda buscam os desktops”, afirma.
Os desktops produzidos na nova fábrica já estão à venda na Kalunga, da qual a Leadership é parceira comercial desde 2002. “Já temos um nome firmado dentro da Kalunga, por isso tivemos muito cuidado antes de apresentar as máquinas. Sabemos que sem qualidade o produto não entra lá”, ressalta Kaczenilk. Esse posicionamento reforça a ideia da “busca pela qualidade e a opção passo a passo” mencionadas por Montello. Antes de levar os PCs para as gôndolas, a Kalunga usou 60 deles internamente, quase uma garantia de que eles não iam dar problemas no ponto de venda. “Essa proximidade, a rapidez com que a Kalunga responde às nossas solicitações, é o que faz o sucesso dessa parceria”, acrescenta o gerente comercial. A Kalunga vende atualmente 93 itens das marcas Leadership, Goldship e Noteship (a intenção é chegar a 300, inclusive com notebooks), de um total de 680 distribuídos pela empresa.

CPUs em fase de montagem, na fábrica.
No projeto de implantação, que demandou investimentos de R$ 4 milhões, a empresa firmou convênio com o Senai para a formação de mão de obra especializada. “Além disso, mantemos um programa interno de treinamento constante”, afirma Montello. Segundo ele, está previsto que 3,122% do faturamento bruto da fábrica será reinvestido em pesquisa e desenvolvimento. Em paralelo, a Leadership desenvolve um trabalho social em parceria com a prefeitura local, que no último Dia das Crianças levou 63 estudantes do Ensino Fundamental para uma visita à fábrica. Eles puderam conhecer o processo produtivo e participaram da montagem de 300 máquinas. Dez delas foram doadas para as escolas locais.
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