Ressaca moral
Muito além dos problemas físicos provocados pela bebedeira, existem situações piores, que podem marcar definitivamente uma amizade, uma relação, uma sociedade. Que o diga quem alguma vez exagerou nas doses e ultrapassou os limites do que é
moralmente aceito. Por exemplo: armar um barraco em uma festa por conta do ciúme, dar em cima da mulher do amigo ou
até mesmo fazer um striptease para os colegas. No dia seguinte, não bastassem os efeitos desagradáveis do excesso de bebida, “desaba” sobre a cabeça da pessoa os efeitos da “ressaca moral”, carregada de ondas de culpa e vergonha. Há quem padeça um pouco mais ao ser lembrado do incidente, enquanto outros, mais desencanados, até conseguem fazer uma piada.
Antonio Carlos Amador Pereira, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica: “O conceito de culpa abarca esse desconforto que em geral está associado à ressaca do álcool.” Quando “cai a ficha”, já é tarde. “A situação é pior para aqueles que são extremamente críticos e exigentes consigo mesmos. Além da sensação de culpa, vem a pergunta: ‘Com que cara eu vou cumprimentar as pessoas?’. A consciência cobra”, observa.
Para esse grupo, os efeitos da ressaca do álcool passam, mas o efeito perverso da ressaca moral maltrata durante alguns dias, meses e até anos. Como errar faz parte da natureza humana, o melhor é não se torturar. O tempo, remédio para curar muitos males, com certeza vai curar essa dor da alma.
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