Ponto de encontro
>Sem medo de errar, dá para dizer que crianças e idosos percorrem caminhos cruzados. Enquanto os primeiros viajam rumo aos desafios, mas também às delícias da vida; os segundos, na mão contrária, caminham céleres para a finitude de suas existências. Ao contrário do que ocorria 10, 20 anos atrás, hoje em dia, por mais que queiram, esses “viajantes” dificilmente se encontram no trajeto. Ainda há muitos avós nos ambientes familiares, até por conta da maior longevidade da população, mas aqueles que vivem em asilos ou casas de repouso quase sempre estão privados do convívio com crianças.Com a proposta de promover essa integração, foi criado em 2002 o projeto Vovó-Criança, numa iniciativa da Liga Solidária (ex-Liga das Senhoras Católicas). A ideia é de que crianças provenientes de famílias de baixa renda se relacionem com pessoas mais velhas. Com isso, terão a oportunidade de “adotarem” novos avós, uma vez que os seus próprios não residem na mesma cidade ou já morreram.
Os idosos participantes são residentes do Recanto Monte Alegre, em São Paulo, instituição que atende atualmente cerca de 55 pessoas, de idades acima dos 80 anos. Muitos deles têm comprometimento na mobilidade ou na capacidade cognitiva. Eles sentem muito a falta do movimento de crianças, pois estão afastados do convívio com os netos, segundo Ana Carolina Monteiro de Barros Matarazzo, vice-presidente da Liga Solidária. Quem vai visitá-los, são as crianças dos Centros de Educação Infantil (CEIs), da Liga Solidária, com idade entre 5 e 7 anos.
Os encontros são quinzenais. Nessas ocasiões, as crianças e os idosos participam de atividades conjuntas, que fazem parte da Terapia Ocupacional. “Isso os auxilia no desenvolvimento da parte cognitiva e motora; ajuda a integrar o grupo, possibilita também a troca de experiência e conhecimentos entre eles e as crianças”, explica Ana Carolina.
Descontração
A programação dos encontros é definida no início de cada ano pelas coordenadoras pedagógicas dos CEIs e a terapeuta ocupacional do Recanto Monte Alegre, que levam em conta o desenvolvimento cognitivo, físico e social de ambos os grupos. As ações traduzem-se em momentos de descontração e resgate de histórias de vida, que proporcionam as trocas afetivas e
o relacionamento entre as gerações, além de ser um recurso eficaz na manutenção, prevenção e reabilitação do idoso.
Entre as atividades interativas lúdicas ou manuais, estão recorte, pintura, desenho livre e colagem, que se renovam a cada visita. Assim, sentadas em torno de uma mesa, a “vovó” e a criança desenham uma paisagem, a primeira desenha a casa. A segunda faz o sol, depois solicita que a idosa desenhe o cachorrinho, pois ela não sabe como desenhar animais.
A criança sente-se importante porque ajuda a “vovó”; ela, por sua vez, também sente-se valorizada, pois está ensinando à criança. “Quando a criança chega triste, recebe do idoso um sorriso, um afago na cabeça, um beijinho na mão. Muitas vezes, ela vem de lares desestruturados, e o gesto é um alento naquele dia”, observa Ana Carolina. Segundo ela, fica uma grande expectativa de ambos para que um novo encontro ocorra.
LIga extraordInárIa
A renovação da gestão da Liga das Senhoras Católicas, iniciada há cinco anos, incluiu mudança do nome da entidade criada há 87 anos. Após pesquisa, adotou-se a denominação de Liga Solidária, mas a razão social continuou sendo o antigo nome, conforme Ana Carolina Monteiro de Barros Matarazzo, vice-presidente da instituição.
A renovação da gestão da Liga das Senhoras Católicas, iniciada há cinco anos, incluiu mudança do nome da entidade criada há 87 anos. Após pesquisa, adotou-se a denominação de Liga Solidária, mas a razão social continuou sendo o antigo nome, conforme Ana Carolina Monteiro de Barros Matarazzo, vice-presidente da instituição.
Grande parte do atendimento social prestado pela Liga (92%) é realizado no Complexo Educacional Educandário Dom Duarte (EDD), localizado no Jardim Educandário, periferia da zona oeste do município de São Paulo. Mas a entidade também realiza ações sociais em mais três bairros da capital: Saúde, Ipiranga e Pinheiros.
Os CEIs atendem em período integral, com atividades que objetivam o desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social de 933 crianças. Investe na parceria com as famílias dos assistidos e na formação continuada da equipe de funcionários. O atendimento diferenciado de 10 horas diárias permite a inserção das famílias das crianças no mercado de trabalho.
Os cinco Abrigos Solidários, três deles localizados no Jardim Educandário, um no Jardim Rosa Maria e outro em Pinhei- ros, atendem em regime residencial 100 crianças e jovens. Eles têm idades entre 0 e 18 anos incompletos, e estão em situação de risco pessoal e social, cujos direitos básicos foram violados ou ameaçados. Em paralelo, a Liga desenvolve uma ação complementar ao abrigo, denominada Núcleo Solidário, que tem como propósito acompanhar o processo de autonomia dos jovens.
Hoje, a entidade desenvolve cinco programas socioeducativos, entre os quais, o Programa Ideal (Informação, Desenvolvimento, Educação, Artes, Lazer), que beneficia 420 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos; e o programa Qualificação Profissional (QP), que oferece a 200 jovens, de 15 a 24 anos, opções de profissionalização em cinco diferentes áreas com cursos de assistente administrativo, designer gráfico, suporte técnico em informática, gastronomia e cabeleireiro.
O Programa Religar, integra e estimula as comunidades vizinhas; o Programa Crescer, acompanha os indicadores de saúde dos frequentadores do EDD e dos CEIs por meio de avaliação antro-pométrica, controle de pressão arterial e glicemia. Também procura informar e conscientizar a comunidade e educadores sobre os conceitos nutricionais básicos de uma dieta saudável e equilibrada. Já o Pólo de Prevenção à Violência Doméstica, Abuso e Exploração Sexual Contra a Criança e o Adolescente é um programa de sensibilização e capacitação de educadores e de grupo de famílias na prevenção, reconhecimento, orientação, intervenção e enfrentamento do problema da violência doméstica, abuso e exploração sexual.
Recursos
A Liga Solidária conta com diferentes frentes de captação de recursos. Entre eles, convênios com o Poder Público Municipal; parcerias com empresas privadas; doações de pessoas físicas e jurídicas; promoção e realização de eventos; campanhas; e através das unidades provedoras, que constituem uma estrutura interna geradora de receitas próprias integralmente aplicadas nas ações sociais da entidade.
No site www.ligasolidaria.org.br é possível se inscrever como voluntário, realizar doações, fazer perguntas e sugestões.
Tel.: (11) 3873-2911 e-mail:liga@ligasolidaria.org.br
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