Feliz Ressaca Nova!
Quem bebe demais da conta não escapa do mal-estar do dia seguinte, também conhecido como ressaca. Mas existem algumas dicas para driblá-la
Quase todo mundo tem uma história de ressaca para contar, principalmente neste período de festas. Quem está acostumado a beber sempre exagera na dose e cai na vala comum dos que acordam com gosto de cabo de guarda-chuva na boca; quem não está, pior ainda, pois foge completamente à sua rotina e também passa mal. Claro que existem alguns cuidados para evitar o day after, mas nem todos estão cientes disso. Rezam os mais experientes que a primeira medida é evitar beber de estômago vazio, mas nem mesmo eles obedecem a essa regra simples. Importante também é manter-se hidratado enquanto bebe, e tomar muita água.
“Tanto a ressaca, quanto a bebedeira causa várias consequências para o organismo. Uma delas é a desidratação. Mesmo que a pessoa tome uma bebida que aparentemente hidrate, a cerveja, por exemplo, o álcool contido provoca perda de água maior do que a ingestão. Isso vale para as demais bebidas alcoólicas. É aconselhável sempre intercalar álcool e água”, indica Paulo Olzon, especialista em Infectologia, Nefrologia e Doenças Oxidativas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mas nem sempre a ressaca espera o dia seguinte para se manifestar. Algumas horas após a bebedeira, já começam a dor de cabeça,náuseas, boca seca, tontura, can- saço etc. Detalhe: os efeitos não são os mesmos para todos. Assim como há os mais tolerantes à bebida, existem os mais suscetíveis, como é o caso de mulheres e orientais. Segundo Olzon, esse grupo tem menos álcool desidrogenase, uma enzima importante na degradação do álcool. Em consequência, algum tempo depois que bebem, ficam com o rosto vermelho, têm taquicardia, náuseas e vômitos.
Riscos
A enzima álcool desidrogenase, transformada em acetaldeído, é uma substância tóxica ao organismo. O acetaldeído é metabolizado pela enzima acetaldeído desidrogenase e transformado em acetato, gás carbônico e água. O acúmulo de acetaldeído causa os efeitos descritos, conforme o médico.
É preciso ter cuidado com os medicamentos que amenizam os sintomas decorrentes da gastrite e da dor de cabeça, pois estes podem agravar o problema. Segundo Olzon, diversos remédios indicados para a cura da ressaca contêm ácido acetilsalicílico, substância que causa gastrite, associada ao álcool. Na sua esteira, vêm queimação no estômago, ou azia, e outros sintomas. Tam-pouco é recomendável tomar paracetamol, para combater a dor de cabeça provocada pela bebida, porque essa substância associada pode produzir uma inflamação no fígado, a ponto de desenvolver uma hepatite grave.
De acordo com o médico, o estado de coma que afeta algumas pessoas, após a ingestão de bebida alcoólica, é causado por intoxicação e também por hipoglicemia, quando há queda de açúcar no sangue. O segredo para não estragar a festa é estar sempre “beliscando” alguma coisa. “Ao chegar em uma festa, a pessoa deve primeiro comer e se hidratar. A bebida alcoólica precisa ser intercalada com esses cuidados”, aconselha.
Recomendações
É fato que a ressaca está relacionada à quantidade de álcool ingerida. Importante: os destilados (uísque e vodca) contêm mais álcool do que os fermentados (vinho e cerveja). Na maioria das vezes, o “abre alas” da bebedeira são alguns copos de cerveja, acompanhados depois de uma caipirinha, um uísque, e por aí vai… Com esse teor do álcool dos destilados e maior, rapidamente a pessoa está embriagada.
Uma dica: “Quer evitar ressaca? Mantenha-se bêbado”. Como a frase sugere, o que pode ocorrer na verdade é estabelecer uma dependência. Cuidado com quem aconselha beber um copo de cerveja pela manhã para melhorar os efeitos da ressaca. Ao contrário, isso pode levar ao agravamento do mal-estar. “O dependente químico, muitas vezes, tem tremores pela de manhã. Se beber, ele melhora o sintoma. Isso não tem sentido”, alerta o médico.
Tomar café também não resolve. Ele manda embora a sonolência causada pelo excesso de bebida, mas não devolve os reflexos. O café não é solução para quem quer sair dirigindo após a bebedeira. Da mesma forma, pitadas de sal não amenizam a ressaca, nem ajudam a curar a bebedeira. A pessoa pode fazer um soro caseiro, com sal, açúcar e água, para se recuperar da desidratação causada pelo álcool.
Conforme o médico, o álcool inibe a formação de um hormônio antidiurético, que concentra a quantidade de urina. Se a pessoa não tem antidiurético no organismo, urina mais. Caso ela fique ingerindo sal, pode piorar a desidratação. Enfim, não há remédio que cure a ressaca. Nessa situação, o melhor mesmo é descansar e fazer alimentações leves. “Nada de ingerir comidas pesadas, como feijoada, pois ela vai exigir trabalho dos órgãos que estão sobrecarregados se recuperando dos excessos do álcool”, conclui.
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