Lindo pendão da esperança
Sem eventos futebolísticos ou o alarde dos meios de comunicação de massa – leiase publicidade – nem sempre nos lembramos do real significado de nossos símbolos pátrios, inclusive a Bandeira
O amor incondicional do brasileiro às cores verde e amarela parece restrito aos eventos que envolvem a seleção brasileira de futebol, tanto que o imortal Nelson Rodrigues cunhou a expressão “pátria de chuteiras”. Mas é só isso! Datas cívicas ou mesmo eleições nunca despertaram muito entusiasmo, aliás, na maioria das grandes cidades, o sujeito não vê a hora de chegar a véspera do feriado para ganhar a estrada. São bem poucos os que ficam para o desfile do dia seguinte. E nada de justificar o pouco apreço do cidadão aos símbolos pátrios, à herança dos colonizadores, que nesse quesito eles estão muitos anos luz à frente. Em geral, os portugueses são bastante apegados aos seus símbolos nacionais, da bandeira ao hino, que cultuam de forma quase religiosa.
Os símbolos pátrios (hino, bandeira, selo e armas nacionais) integram um cabedal de culturas, algo que os especialistas denominam de comunidade de sentido, segundo Frederico Alexandre Hecker, professor de História da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Pós-Graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “É preciso que haja um determinado padrão de ideias, que possam ser utilizadas como símbolo. Assim, ocorreu com a Proclamação da República, quando a bandeira nacional passou a ter uma nova representação, rompendo sua relação com o passado e com o governo monárquico.”
Um exemplo da atualidade é a Bandeira Nacional, que só iria merecer algum tipo de atenção ou manifestação, caso fosse queimada por alguém em praça pública. Diferentemente de outros símbolos ou produtos relacionados à publicidade, reconhecidos facilmente até por crianças pré-alfabetizadas. Hecker atribui esse descaso à pouca exposição dos símbolos nacionais nos meios de comunicação. É triste constatar, mas uma movimentação semelhante à existente em torno da seleção de futebol, só seria possível se o País vivesse uma situação de guerra. Segundo o educador, o patriotismo mais exacerbado é uma espécie de brasa escondida atrás de um monte de cinzas. Em outras palavras, os brasileiros são, sim, amantes da pátria e estariam, nesse caso, dispostos a lutar pelo País.
O Brasil é cheio de contradições, desde o tempo em que se tornou independente, exemplo disso foi a continuidade da escravidão, mesmo após o fim do regime nos demais países das Américas. “Não era possível ter nacionalidade e patriotismo arraigados, enquanto a maioria da população não tinha direito a todas as garantias civis”, justifica Hecker. Embora muitas décadas tenham se passado, a nação ainda é bastante dividida, sendo vista como exemplo de disparidade.
“Estamos distantes da harmonia absoluta entre as situações sociais. Existe claramente uma elite que se locupleta do poder. Do outro lado, as classes trabalhadoras que, por mais que tenham sido incorporadas ao conjunto da nacionalidade nos últimos tempos (a partir da distribuição de renda), têm muito a fazer para que todos sejam minimamente iguais diante das leis, da riqueza, da possibilidade de trabalho”, enfatiza o professor. A conclusão dele é de que, quanto mais igualitária a sociedade, mais comum são as manifestações significativas de patriotismo.
Nacionalidade
Desde a chegada dos colonizadores portugueses, o Brasil (inclusive no período colonial) teve nove bandeiras. Válidas, no entanto, apenas aquelas criadas após a Independência, pois só tem bandeira um país/Estado soberano, dotado de nacionalidade, o que só ocorreu após o dia 7 de setembro de 1822. Ainda assim, naquela ocasião, existiam quatro bandeiras nacionais brasileiras: a do Reino do Brasil, a imperial, a do governo provisório republicano e a republicana.
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, surgiu a Bandeira Provisória da República, composta por 13 listras, sete verdes e seis amarelas, dispostas em sentido horizontal, com um retângulo azul no canto superior esquerdo, cravado de 21 estrelas. O modelo tremulou nos mastros durante poucos dias, pois em 19 de novembro de 1889, foi criada a atual Bandeira Nacional. Por isso, o dia 19 de novembro é dedicado à comemoração do “Dia da Bandeira”.
O autor foi o professor Teixeira Mendes, com a contribuição de Miguel Lemos e do professor Manuel Pereira Reis, catedrático de Astronomia da Escola Politécnica. O desenho é do pintor Décio Vilares. Quando a bandeira foi criada, eram apenas 21 estrelas, que representavam os então 20 Estados e a capital, que na época era o Rio de Janeiro. Em 1960, com a mudança da capital para Brasília, foi criado o Estado da Guanabara, com mais uma nova estrela no círculo azul.
Dois anos depois, com a criação do Estado do Acre, foi acrescentada mais uma estrela. Em 1975, com a extinção do Estado da Guanabara e a fundação de Mato Grosso do Sul, a estrela “Alphard” passou a representar o novo Estado. A última modificação da Bandeira Nacional se deu em 1992, quando foram criados os Estados do Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins. Foram inseridas mais quatro estrelas. As 27 estrelas integram as nove constelações, vistas a olho nu no céu da cidade do Rio de Janeiro, exatamente às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais). As constelações: Cão Maior, Cão Menor, Carina, Cruzeiro do Sul, Escorpião, Hidra Fêmea, Oitante, Triângulo Austral e Virgem.
Positivismo
A inscrição “Ordem e Progresso”, sempre em verde, é uma forma abreviada do lema político positivista, de autoria do francês Auguste Comte, que tinha vários seguidores no Brasil, entre eles, o professor Teixeira Mendes. Ele também era presidente do Apostolado Positivista do Brasil. Sobre o lema, o escritor Euclides da Cunha declarou: “É uma síntese admirável do que há de mais elevado em política.” A posição e dimensões exatas de cada componente da bandeira são definidas em lei, bem como a associação das estrelas das constelações com os Estados do Brasil. As duas faces da bandeira são exatamente iguais, sendo vedado fazer uma face como avesso da outra.
Quanto às cores, o verde tem diversos significados. Era a cor da casa real de Bragança, da qual fazia parte D. Pedro I, proclamador da Independência do Brasil, e também da Casa Imperial Austríaca dos Habsburgos, família de sua mulher, dona Leopoldina. Hoje, a cor é relacionada à riqueza das florestas nacionais. O amarelo é associado ao Sol, que ilumina intensamente o Brasil na maior parte do ano. A cor também representava a dinastia dos Habsburgos. Mais recentemente, foi relacionada ao ouro encontrado em solo brasileiro. As cores verde e amarela, combinadas, simbolizam a irmandade do Brasil com as nações africanas.
O azul da esfera representaria as viagens marítimas dos portugueses. Corresponde a uma imagem da esfera celeste, inclinada segundo a latitude da cidade do Rio de Janeiro, a mesma do dia da Proclamação da República. A faixa branca – apesar de muitos afirmarem que representa a eclíptica, o Rio Amazonas, o equador celeste ou o zodíaco –, é na realidade apenas um espaço branco para destacar a inscrição do lema “Ordem e Progresso”, em verde.
SAIBA MAIS:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Brasil
http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/bandeira_nacional.asp
http://www.patriotismo.org.br/default.asp?pag=mostra&Id=23
http://www.blogbrasil.com.br/o-significado-dascores-da-bandeira-do-brasil/
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