Sorria para a vida!
Entidade beneficente paulistana presta atendimento a pacientes afetados pela mucosite oral, um dos efeitos colaterais dos tratamentos contra o câncer
O câncer continua sendo o grande vilão das últimas décadas, sustentado por uma série de fatores, entre eles, as mudanças aceleradas do modo de vida do homem moderno. O pior é que o seu tratamento, embora com êxito, acaba deixando sequelas terríveis nos pacientes. Uma delas é a mucosite oral, que afeta (e pode até levar à morte) de 70% a 100% deles. Nos casos mais severos, a doença pode ocasionar septicemia, uma reação tóxica inflamatória que afeta o trato gastrintestinal – da boca ao ânus –, que pode ocorrer por exposição a agentes quimioterápicos (quimioterapia) ou radiação ionizante (radioterapia). A explicação é de Danielle Vanzella, coordenadora do Instituto Sorrir para Vida, criado para atender pessoas que têm câncer e não dispõem de condições financeiras para arcar com os custos deste tipo de tratamento, pois a presença da mucosite provoca outras complicações. Na sua relação, estão desidratação, desnutrição e infecção, que exigem um uso maior de antibióticos e aumento no número e tempo de internações Quando provoca toxidade sobre células epiteliais na cavidade oral, a mucosite leva à descamação em função do atrito presente na boca. Como a reposição celular está comprometida devido ao tratamento oncológico, ocorre exposição do tecido conjuntivo subjacente, onde se localizam vasos sanguíneos, vasos linfáticos e feixes nervosos; desencadeando dor intensa, ulcerações, dificuldade de alimentação, hidratação e fala. A mucosite oral tem gravidade variável, conforme as drogas e doses empregadas no tratamento do câncer.
“O principal objetivo do Instituto é reduzir o número de óbitos por septicemia secundária. Muitas vezes, o paciente não morre propriamente de câncer, mas em decorrência da mucosite bucal que faz com que ele pare de se alimentar. É comum a pessoa chegar ao consultório sem conseguir comer há nove, dez dias”, revela a coordenadora do Instituto. Desde que foi criado, em julho de 2007, o Sorrir para Vida já realizou mais de 6 mil procedimentos, que beneficiaram cerca de 100 pacientes provenientes de serviços públicos. Em geral, eles têm pouco acesso a cuidados bucais adequados, o que resulta muitas vezes em complicações passíveis de prevenção, mas que podem ser fatais. “Percebe-se então a relevância da boca como porta de entrada para infecções graves. E o quão simples pode ser a redução da mortalidade secundária ao tratamento oncológico, através de uma adequação bucal antes do início, e acompanhamento especializado no decorrer dele.”
A iniciativa de criar o Instituto foi da odontóloga Marisa Helena de Carvalho, que passou pela experiência do tratamento do câncer de mama por duas vezes, em 2004 e 2006. Ela contou com a parceria da médica oncologista Vanessa de Carvalho Fabrício. “Por ter sofrido com a mucosite, após o término de seu tratamento, a doutora Marisa decidiu realizar um trabalho social voltado exclusivamente a pacientes portadores de câncer”, conta Danielle.
Cuidados extras
Os tratamentos são realizados por uma equipe de quatro odontologistas voluntários, um deles cirurgião. Eles atendem crianças e adolescentes, embora a maior procura seja por adultos e idosos, de ambos os sexos. O Instituto oferece também tratamento odontológico completo, como restaurações, reabilitações, periodontias, endodontias, cirurgias e irradiações a laser. “A intenção é diminuir as complicações da quimioterapia. Para isso, é empregada a irradiação a laser, que previne e trata os sintomas da mucosite. Ela reduz as lesões e faz com que o paciente volte a se alimentar e passe a viver com menos dor, proporcionando assim melhor qualidade de vida”, destaca a coordenadora.
O trabalho só é eficiente quando profissionais da saúde, no caso dentistas e médicos oncologistas, atuam em parceria. Muitos dos pacientes, conforme Danielle, são encaminhados pela doutora Vanessa, que presta atendimento na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e na Fundação ABC. “Quando é necessário realizar uma extração, é preciso consultar o oncologista para saber se o paciente tem condição de passar pelo procedimento”, emenda.
Os assistidos chegam à entidade por meio de folders, indicação de outros pacientes e pesquisa na Internet. Como a entidade não dispõe de verba suficiente para atender à demanda, a prioridade é pelos casos mais graves, ou seja, são atendidos os pacientes que já se encontram debilitados. Noventa por cento deles são triados pela oncologista. Segundo a coordenadora, o tratamento odontológico tem um custo alto e as doações são insuficientes para atender a todos que procuram o Instituto.
Importante: a entidade não presta atendimento a portadores de câncer bucal, embora seja bastante procurada por pessoas nessas condições.
“Tratamos a mucosite oral, que é um efeito colateral da quimioterapia e radioterapia. As dentistas orientam a higiene oral adequada com enxaguantes bucais. Não é possível aplicar laser, pois se o paciente tiver células cancerígenas há o risco delas aumentarem”, esclarece Danielle.
O atendimento até agora é feito no consultório da odontóloga Marisa, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Em breve, contará com um espaço maior, também cedido temporariamente, próximo à estação do metrô de Santana, Zona Norte. A mudança para o novo endereço, onde serão concentradas também as atividades administrativas, está prevista para o final deste semestre. O Sorrir para Vida recebe doações mensais dos pacientes particulares da odontologista, muitos deles empresários. Mesmo com um projeto aprovado pelo Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad), o Instituto continua em busca de sócios contribuintes.
De olho na ampliação do atendimento aos pacientes e na diversificação dos serviços prestados, a entidade visa construir uma sede própria, capaz de oferecer atendimento global aos portadores da doença. Nesse local, serão disponibilizados serviços médicos, odontológicos, psicológicos, advocatícios e assistência social, entre outros. “Nesse primeiro momento, vamos ampliar o atendimento em pelo menos 50%. Contaremos com voluntários trabalhando em tempo integral, de segunda a sextafeira. Inclusive, estamos em busca de profissionais da área de odontologia para integrar o nosso corpo de voluntários”, coclui Danielle.
Faça sua doação: Banco Bradesco
Agência: 1431-1 – Conta corrente: 49350-3
contato@sorrirparavida.org.br
Tel.: (11) 3085-1255
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