E o Senna tinha razão…
O piloto brasileiro costumava dizer que as mulheres inglesas são feias, comparadas às brasileiras; e olha que no seu tempo não se dançava “O Baile dos Insetos Feios”
Sempre que era fechado pelo inglês Nigel Mansel, nos tempos em que voava baixo nas pistas da Fórmula 1, Ayrton Senna costumava descarregar sua bronca, lembrando dos motivos pelos quais o inglês parecia infeliz: “Ele reage assim porque mora em um país onde chove o ano inteiro, come pessimamente mal, só vê mulher feia nas ruas…” Isso foi há mais de 20 anos e eis que agora, a Folha de S. Paulo traz uma notícia de que uma empresa da Inglaterra resolveu ratificar pelo menos uma das afirmações do brasileiro: montou uma rede social, para servir à paquera dos feios, melhor ainda, dos esteticamente desfavorecidos. Os idealizadores justificam o projeto, ao lembrar que metade da população solteira daquele país (homens e mulheres) é, digamos, feia. Não sei se solteiros ou não, mas imagino que estejam fora desse ranking Liz Hurley, Catherine Zeta-Jones, Keira Knightley, Kate Moss, Sean Connery, Hugh Grant… Imagino também que seja um serviço aberto a todo mundo que domine mesmo que precariamente o inglês; desta forma, nós, brasileiros, poderemos participar. Afinal, também temos (e não é pequeno) o nosso quinhão dos tais desprovidos de formosura.
Para os idealizadores do TUBB (The Ugly Bug Ball ou “O Baile dos Insetos Feios”), o nome do portal, que arregimentou 1.500 filiados em sua primeira semana no ar, a paquera em um universo habitado por assimétricos pode ser muito mais profícua. “Em vez de pescar numa piscina de beleza e não conseguir nada, mergulhe num oceano de feios e tenha mais escolhas”, propagandeiam. Faz sentido. Lembram ainda que pessoas feias, por terem tido uma vida mais dura, tendem a ser mais compreensivas e leais, além de se esforçarem mais na cama. E para os desconfiados ou ciumentos, uma vantagem extra: um parceiro feio com certeza será menos assediado, portanto, estará menos suscetível a possíveis cantadas ou puladas de cerca. Fico curioso com os prováveis desdobramentos do serviço não só via Internet, mas com seus reflexos em outros meios de comunicação. A mídia sempre tendeu a exaltar os belos, os de feições simétricas, será que finalmente os feios terão acesso a pelo menos uma borda do reino dos céus da belezura? Atentem para este futuro anúncio nos classificados do jornal inglês Sun “Homem solteiro, feio, 35 anos, procura mulher feia para compromisso sério”.
Não rola. Baseada em que critérios uma pessoa chega à conclusão de que é feia? O pai pode deduzir que as feições do moleque não ajudam muito, mas a mãe corujona jamais vai admitir ter trazido à luz um rebento tão mal diagramado. “Ele é tão parecido com meu pai”, dirá toda envaidecida às amigas reunidas para o chá da tarde. O tempo passa; o menino cresce, o nariz e as orelhas idem. A progenitora, ainda embevecida, agora já o imagina parecido com um membro da realeza britânica, está certo que é o príncipe Charles, mas não deixa de ser um príncipe… Ele não parece tão confiante assim. “Olha, alguma coisa está errada comigo, já se vão 35 anos e ainda não arrumei ninguém!”, conclui o rapaz, antes de colocar o anúncio no jornal. A mãe diz que ele, ainda por cima, é muito tímido; o pai acha que é também por causa do mau hálito. E qual seria a reação das leitoras do jornal? Uma delas até que se interessou, mas no final não se acha tão feia assim, embora, aos 30 anos, ainda esteja encalhada. E mesmo que fosse uma megera, o ideal seria buscar alguém mais formoso, para o aprimoramento da espécie, deve ter pensado. Alguém lhe soprou que a pessoa feia é bonita por dentro, ao que ela retrucou, fazendo uso do legítimo humor britânico: “Neste caso, ele deveria me mandar um ultrassom de corpo inteiro.”
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Índice da Edição 234clique
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