Rodinha nos pés

por: Margarete Azevedo

É um esporte individual, cuja prática é o equilíbrio. Pode ser na rua, na praça, no parque, desde que se use equipamentos de proteção contra os esperados tombos iniciais

Estamos falando de um esporte individual, que exige apenas a prática constante. O primeiro passo para quem quer começar a patinar é a compra de patins de qualidade e equipamentos de proteção: joelheira, cotoveleira, munhequeira e capacete. É importante lembrar que patins é material esportivo, não é brinquedo, e os bons são encontrados apenas em lojas especializadas em artigos esportivos. Portanto, fique longe de modelos inspirados em personagens de histórias em quadrinhos, mesmo para crianças. Os melhores continuam sendo os importados “top” de linha, fabricados por empresas como Rollerblade, Powerslide, K2, Seba, Razors, Mission, Bauer, Bont, Luigino e Roll-Line, entre outras. No Brasil, há também marcas respeitáveis como Traxart (inline) e Rye patinação artística).

A escolha do modelo adequado depende, principalmente, da modalidade que se vai praticar (veja quadro). Na dúvida, opte por patins de fitness/passeio, que podem ser usados em parques, ciclovias, praças e locais lisos e planos onde, preferencialmente, não circulem automóveis e outros veículos motorizados. Os patins devem ser do tamanho exato do pé, nem folgados, nem exageradamente apertados. Se estiverem largos, dificultam a estabilidade e a execução de manobras; se forem muito apertados, causam desconforto e machucam os pés. O ideal é experimentar antes de comprar. Se não for possível, consulte o fabricante ou tabelas de conversão de tamanhos (para modelos importados), que podem ser encontradas em sites de lojas virtuais.

O passo seguinte é começar a patinar! Algumas pessoas recorrem a instrutores, o que é uma boa alternativa, mas também dá para aprender sozinho. Patine com alguém que possa ajudá-lo em caso de necessidade. Além do mais, patinar acompanhado pode ser mais divertido e seguro. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, há grupos de patinadores que saem juntos. É importante fazer alongamentos, antes e depois de patinar, se manter hidratado (tomar água ou isotônicos) e evitar a prática em jejum. É necessário comer alguma coisa pelo menos 30 minutos antes de começar; pode ser uma fruta ou uma barrinha de cereais. Inicie com ritmo lento a moderado e aumente a intensidade de forma gradual. É aconselhável fazer uma avaliação médica antes de começar a patinar, como em qualquer outra atividade física.

Rodinha nos pés

A patinação é um esporte para todas as idades. Rafael Romano, diretor técnico da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, recomenda a prática a partir dos 3 anos de idade e lembra que há atletas profissionais acima dos 60. “Esses senhores, esse pessoal da terceira idade, eu me relaciono bastante com eles, dizem que estão vivendo a segunda juventude e que os patins têm uma função muito importante nisso”, relata. Um deles, Luis Giacomo, de 68 anos, é campeão brasileiro de patinação de velocidade. Ele começou a praticar há cinco anos. No ano passado, foi para um campeonato mundial. Outro senhor, de 64 anos, diz que desde que começou a patinar, há quatro anos, chegou ao peso que queria, dorme melhor e mudou totalmente a relação que tem com outras atividades que pratica.

A patinação traz muitos outros benefícios: aumenta a flexibilidade, força, resistência e agilidade; auxilia na redução de peso; contribui para o condicionamento cardiorrespiratório, sem causar impactos nos joelhos e pés; fortalece músculos, ossos e tendões; melhora a coordenação motora; ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, entre outros. E os tombos, podem ser evitados? Romano lembra que “existe risco de queda, lesão, mas o risco de lesão está associado à prática em alta performance mesmo para pessoas que são atletas”. Por exemplo, alguém que vai disputar um Campeonato Panamericano, um campeonato mundial e quer tirar ali segundos. “Se ele tem que treinar muito forte todos os dias, está propenso a ter alguma lesão como em qualquer outra atividade física de alto rendimento.”

O professor de patinação in-line Anderson Ferreira, o “Jamanta”, complementa: “Os riscos de queda diminuem muito se houver bom senso e responsabilidade. Quem patina em ladeiras corre mais riscos de cair e se machucar.” Naturalmente, quedas acontecem. Isso é normal, especialmente quando se vai tentar uma manobra nova. O importante é estar sempre com os equipamentos de proteção, escolher locais seguros e respeitar os seus limites. Como em qualquer outra prática esportiva, quanto mais a pessoa patinar, melhor será o seu desempenho. E quanto melhor for o seu desempenho, mais intensa será a sensação de liberdade que só quem patina consegue explicar.

Sem Freios

os primeiros patins sobre rodas, curiosamente, eram mais parecidos com os modelos inline atuais do que com os patins tradicionais, com dois pares de rodas paralelas (um à frente e outro atrás). o primeiro exemplar, criado pelo belga Joseph Merlin, em 1750, não possuía freios; era difícil de manobrar e contava apenas com uma roda em cada pé. em 1819, na França, M. o petitbled patenteou o invento e, quatro anos mais tarde, em 1823, roberto John tyers desenvolveu o “rollito”, modelo com cinco rodas em linha. Quarenta anos depois, em 1863, James plimpton criou o primeiro modelo “Quad”, como são conhecidos os patins tradicionais nos estados Unidos. Daí em diante, os patins se tornaram populares em todo o mundo.


Conheça Algumas Modalidades

Fitness/passeio

A maioria dos patinadores é adepta dessa modalidade, que proporciona lazer e condicionamento físico. Costuma ser praticada em parques, ciclovias, praças e ruas pouco movimentadas. os patins contam com botas (cano médio) macias ou levemente rígidas, quando fabricadas com fibra de carbono, e as rodas têm, com frequência, 80 mm ou 90 mm de diâmetro.

Corrida/maratona

Os entusiastas dessa modalidade desenvolvem grande capacidade cardiovascular e respiratória, além da musculatura abdominal e dos membros inferiores. os treinamentos são intensos, pelo menos três vezes por semana, entre três e quatro horas por dia. Há 50 milhões de praticantes no mundo. os patins possuem botas (de cano baixo) levemente rígidas, fabricadas com fibra de carbono, e as rodas apresentam diâmetro de 100 mm ou 110 mm.

Agressive/street

Bem urbana, esta modalidade é praticada em pistas de skate, half pipes (rampas em formato de U), praças, ruas e qualquer lugar que apresente obstáculos como corrimãos, degraus e bancos de concreto, entre outros. A brasileira Fabíola da silva e os irmãos japoneses eito e takeshi Yasutoko são destaques na categoria Vert (vertical). os patins utilizam botas (de cano alto) rígidas, fabricadas com plástico de alta resistência, e as rodas têm, em geral, entre 56 mm e 72 mm de diâmetro.

Slalom/Freestyle

Nesta modalidade, o desafio é fazer manobras curtas e rápidas em volta de cones posicionados de forma longitudinal no chão (slalom). Freestyle, como o próprio nome sugere, reúne outras manobras livres como a dança de estilos musicais, como o rock, o pop, o acid jazz e o hip hop. A patinadora britânica Naomi Grigg é um dos principais nomes. As botas (de cano alto) são rígidas ou semirrígidas, fabricadas com fibra de carbono, e as rodas têm, em geral, 76 mm ou 80 mm de diâmetro.

Patinação artística

originária da modalidade homônima sobre o gelo, a palavra “artística” surgiu porque os primeiros patinadores europeus faziam desenhos sobre o gelo com as lâminas dos seus patins. os mais bonitos e criativos venciam as competições. Atualmente, os patinadores solo, em duplas ou grupos, realizam acrobacias, coreografias e saltos. No Brasil, um espetáculo que fez história foi o periquitos em revista, realizado por patinadores amadores da sociedade esportiva palmeiras. Hoje, os principais nomes brasileiros são Marcel stürmer, Juliana Almeida e Gustavo Casado. os patins mais comumente utilizados são os tradicionais com botas de couro (de cano alto) e as rodas, na maioria das vezes, têm diâmetro de 55 mm ou 57 mm. também contam com um freio dianteiro sob a base, na ponta de cada pé, fundamental para a execução de determinadas manobras.