O bem sem olhar a quem
Com atuação no Brasil e exterior, a Associação Cades procura oferecer compaixão, amor, dignidade, esperança e solidariedade ao ser humano
A erupção de um vulcão islandês de nome impronunciável provocou o cancelamento de voos na Europa e causou enormes problemas financeiros às companhias aéreas do mundo inteiro. Fosse abaixo da linha do Equador, o mesmo acidente teria deixado, além de perdas em dinheiro, vítimas fatais e muitas famílias ao relento. “O mundo é mesmo cruel”, diriam alguns cruzando os braços, enquanto outros, diante de acidentes da natureza ou situações de conflito, em vez de lamentar, preferem pôr as mãos na massa. A exemplo do casal Evandro e Mirella Raquel Correa, que partiu para a ação e fundou em 2009 a Associação Cades, com uma proposta bastante simples: ajudar o próximo.
Fundamentada nos princípios da Compaixão, Amor, Dignidade, Esperança e Solidariedade (de onde vem a sigla Cades), e sem fins lucrativos, a Associação busca mudar a vida dos menos beneficiados, não só no Brasil, mas também em outros países. Os projetos da Cades são desenvolvidos dentro dos seguintes módulos: assistência social, emergencial e ajuda humanitária; educação, desporto e cultura; oferecimento de auxílio moral, psicológico, emocional e espiritual às vítimas de qualquer tipo de mal social; e promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais.
Tantas tarefas demandam uma dedicação quase exclusiva, mas Mirella Raquel, que atua no ramo imobiliário, diz que consegue conciliar negócios e assistência social. Evandro, seu marido, é diretor comercial de uma empresa do segmento de turismo. “Nossa estratégia para facilitar a gestão é trabalhar em parcerias com redes e equipes de voluntários experientes e idôneos”, diz ela. Cabe ao casal a função de responder pela análise, direção e decisão dos rumos a serem tomados. “Estabelecemos as prioridades em cada projeto e contamos com a tecnologia para facilitar o trabalho”, acrescenta.

Regiões Carentes
“Entendi naquele instante, em uma cidade que é o resumo de miséria, fome e falta de perspectivas, como funciona esta questão de ajuda ao próximo. O movimento de ajuda humanitária ou social começa em nós e não nos outros”, acrescenta Evandro. A partir daí, veio a decisão de fazer um pouco pelo Brasil em regiões carentes, com investimentos no Ceará, bairro do Serviluz, em Fortaleza, e Varjota; Cocal, no Piauí; nas enchentes de Santa Catarina; e no interior de São Paulo, sempre em alianças estratégicas com a Ame (Associação Missão Esperança). Apesar das várias atuações no exterior, ele reconhece que é mais fácil trabalhar no Brasil, onde se consegue mobilizar uma rede de amigos e voluntários.
Antes de decidir sobre onde e como ajudar, a Cades considera alguns aspectos. Em primeiro lugar, procura conhecer e analisar a situação real da demanda ou do projeto, independentemente de ser no País ou exterior. É importante também, conforme o casal, orar e pedir a Deus orientação e sabedoria. Por fim, é preciso decidir como ajudar, conforme as oportunidades. Neste momento, a ênfase maior da entidade está nas regiões carentes do Brasil, principalmente Norte e Nordeste. Por isso, segundo Mirella Raquel, o convite à Kalunga para colaborar com uma ação pontual com as crianças de Cocal, no Piauí.
Dificuldades para atuar existem em toda parte, mas as tragédias provocadas pelos terremotos no Haiti e no Chile foram as que mais exigiram dos voluntários da Cades, conforme Evandro. A contrapartida nessas circunstâncias, segundo ele, é a gratidão das pessoas, em especial, das crianças que recebem ajuda. “Isso não tem preço. E também a certeza de que de alguma maneira Deus se alegra quando seus filhos se relacionam desta maneira”, acrescenta Mirella Raquel.
Para que esse relacionamento seja ainda mais eficaz, a Cades convoca profissionais voluntários e experientes nas áreas específicas de cada projeto. Quanto mais voluntários, mais condições a Associação terá de ampliar suas áreas de atuação “Todos podem participar trazendo ideias, sugestões e apoio, tanto no Brasil quanto no exterior”, esclarece o casal. Mirella reconhece que há riscos no trabalho humanitário, como no recente ataque ao navio que se dirigia para a faixa de Gaza, pois “não existe lugar seguro neste mundo”. Conclui, no entanto, que vivemos pela fé. Além disso, “o amor pelos necessitados e carentes é mais forte do que qualquer medo da morte.”

Projetos e Ações da CADES
Evandro e Mirella Raquel já atuavam em entidades assistenciais bem antes da fundação da Cades. Assim, deram continuidade em Fortaleza (CE) ao Clubinho Viva Vida, que atendeu de 2004 a 2008 mais de 700 crianças. Elas receberam alimentação em dois turnos; reforço escolar, assistência médica e odontológica e apoio psicológico, entre outros benefícios. Esse trabalho é administrado atualmente pelo Centro Social Betesda, do bairro Serviluz.
Em Cocal (PI), pelo segundo ano consecutivo, a Cades promoverá em outubro uma festa para 3 mil crianças, afetadas pelo rompimento da barragem Algodões, em 2009. Elas receberão um kit de material escolar (mochila, giz de cera, lápis grafite e caderno), brinquedos e doces. Quatro dias após o acidente com a barragem, equipes da Ame (Associação Missão Esperança), em parceria com a Cades, mandaram para a região médicos, psicólogos, veterinários e até mesmo advogados.
Fora do País, também ao lado da Ame, a Cades esteve presente no Haiti, pós-terremoto, na Indonésia, logo após o tsunami, para a fundação de um orfanato; Myanmar, em 2008, para onde enviou ajuda humanitária; e em Concepcion, no Chile, onde colaborou no envio de barracas para socorro emergencial. A entidade também dá suporte a uma família brasileira, que trabalha com atendimento clínico para crianças no Projeto Fábrica da Esperança, no Senegal.
SERVIÇO
Evandro Correa – eoc.evandro@uol.com.br,
tel.: (11) 9152-4880;
Tatiana Ksenhuk – ksenhuk@terra.com.br,
tel.: 6305-0196M
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