Enfim, alguém confiável…
não existe ninguém que mereça mais o voto da população que o profissional do Corpo de Bombeiros, aqui homenageado com inteira justiça
Há um dia do ano – 2 de julho – dedicado ao bombeiro, um profissional cujos índices de aprovação e confiabilidade por parte da população estão entre os mais altos em todo o mundo, e também aquele que todos gostaríamos que não trabalhasse um dia sequer durante todo o ano – mas é o tipo do ócio que ninguém inveja. Vizinha de minha casa, por exemplo, há uma unidade do Corpo de Bombeiros, onde os vejo em animadas partidas de futebol de salão e basquete, correndo na quadra ou treinando na academia. Claro, existem aqueles (geralmente os de dupla jornada, pois o salário continua sendo de doer) que preferem cumprir seus plantões dormindo no alojamento. E que ninguém pense que só nos filmes eles pulam da cama e caem dentro do macacão, que isso também ocorre na vida real. Basta soar a sirena, e lá estão dispostos como nunca e a postos como sempre ao lado do caminhão, independentemente da missão. O bombeiro de uma cidade como São Paulo não pode reclamar de tédio, pois há trabalho para todos os gostos: incêndio, acidentes de trânsito, enchentes, afogamentos e até coisas mais prosai- cas, como a captura de uma onça deslocada no meio urbano e o vazamento de botijão de gás. Bombeiro que ajuda o gato a descer da árvore só em filme de Hollywood!
Os bombeiros paulistanos tiveram muito trabalho durante os últimos grandes incêndios de São Paulo, que deixaram vítimas fatais, como o do Edifício Andraus, do Joelma e do Grande Avenida, na Paulista. Mas isso foi há mais de 30 anos. Quase toda semana, entretanto, há chamados para indústrias ou favelas que pegam fogo, no primeiro caso, deixando apenas prejuízo material; e no segundo, levando para as ruas centenas de pessoas que já não têm muito o que perder ou para onde ir. Acidentes de trânsito são corriqueiros, principalmente nos fins de semana, alguns com vítimas fatais, outros que exigem muita perícia para retirar os corpos ainda com vida do meio das ferragens. Sem falar no recorde de acidentes com motociclistas nos quais morrem pelos menos um por dia na capital paulista. Acudidos pela emergência do Corpo de Bombeiros, quando o tempo e o trânsito colaboram, muitos deles são levados ainda com vida para os hospitais e conseguem escapar da morte.
Não restam dúvidas de que o treinamento para o Corpo de Bombeiros (sem nenhuma intenção de trocadilho) é fogo. imaginem índices de insalubridade zero para quem trabalha sob o calor e a fumaça, contra o relógio e ao mesmo tempo sob a pressão de salvar uma vida ou um bem material. Quase sempre se exige deles também estômago forte em casos, como o de afogamento, quando o corpo é retirado após vários dias sob as águas? Há ocasiões desesperadoras mesmo, como se verificou no 11 de Setembro, em Nova York – retratados pelas emissoras de TVs e mais tarde em filmes – quando eles se viram impotentes para salvar centenas de vidas em meio ao fogo, gás e aos escombros. Quantos deles não morreram ou tiveram que se aposentar por invalidez? Quantos não tiveram que recorrer ao divã do analista para recobrar o equilíbrio psicológico necessário para dar continuidade às suas carreiras? Especialização é bem-vinda em todas as profissões, mas o bombeiro parece ser o profissional dos múltiplos instrumentos. Menos a sargento do Corpo de Bombeiros que encontrei próxima da unidade de que já falei, ao lado de meu prédio. Na tentativa de separar marido e mulher, que se engalfinhavam aos socos e arranhões a poucos metros do quartel, ela foi posta fora de combate com um soco, que lhe deixou um baita hematoma ao redor do olho. Desconsolada, assistia à cena de longe, quando dois soldados da Polícia Militar, da Ronda Escolar, pararam o carro e acabaram com a briga, levando os briguentos para a delegacia mais próxima. Como eu vinha dizendo: cada um na sua especialidade…
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Índice da Edição 232clique
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