Festa Junina o ano inteiro

por: Margarete Azevedo

Quem não puder viajar para o Nordeste nesta época do ano, para apreciar uma boa festa junina, tem um endereço certo aqui em São Paulo

Festa Junina o ano inteiro

Vai ano, vem ano e o panorama não muda. Atrás da irrequieta bancada nordestina de Brasília, que até antecipa o recesso parlamentar para marcar presença, todo brasileiro imagina que festejos juninos de verdade só ocorrem na pernambucana Caruaru (PE) ou na paraibana Campina Grande. Ledo engano. Aqui mesmo em São Paulo, o Centro de Tradições Nordestinas (CTN) promove durante todo o mês de junho, e parte de julho, um autêntico arraial junino, com direito a muito forró e comidas típicas. Por extensão, como em todo o final de semana há shows de grupos nordestinos e arrastapés no local, pode-se dizer que ali a festa junina nunca acaba. Os “arraiás” do CTN, nesta época do ano, estão entre as opções de festas genuinamente caipiras que a capital paulista proporciona. Os festejos atraem gente de todas as regiões da cidade, de diversos Estados, e até turistas estrangeiros. Neste ano, a programação tem início no dia 12 de junho e prossegue até 12 de julho, coincidentemente, o mesmo período da Copa do Mundo. “Aqui, as pessoas podem vivenciar um São João tipicamente nordestino. Nesta noite (véspera de 24 de junho) o público aumenta, chegando a uma média anual superior a 1 milhão de frequentadores”, conta o assessor de imprensa Tiago Bernardo.

Festa Junina o ano inteiro

Muitas das atrações contratadas para animar a festa vêm do Nordeste, entre elas, a banda de pífanos de Caruaru e alguns grupos de maracatu. Há ainda apresentação de bandas regionais, teatro de mamulengos, quadrilhas, grupos de dança, cordelistas, repentistas e emboladores. Não faltam barracas de jogos e brincadeiras, como o correio elegante e personagens interativos, no caso Lampião e Maria Bonita, e muita comida típica. Já houve, em anos anteriores, uma ou duas tentativas de trazer o “São João do Nordeste” para o Sambódromo do Anhembi, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo, mas não vingou.

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Religiosidade

A verdade é que São Paulo continua surpreendente como sempre, notadamente por suas alternativas de lazer. Algumas delas exigem um pouco mais de empenho para serem descobertas. É o caso desse cantinho nordestino, localizado no tradicional bairro do Limão, Zona Norte. Fundado em maio de 1992, o local é ponto de encontro nos finais de semana da comunidade nordestina residente em São Paulo. Ocupa uma área de 27 mil metros quadrado e estacionamento para 300 veículos.

Além de fácil acesso pela Marginal Tietê, o espaço do CTN é bem servido pelo transporte público. Abriga atualmente um busto do cantor e compositor Luiz Gonzaga, o rei do baião, e um de Manezinho Araújo, o rei das emboladas. Há uma estátua de Zumbi dos Palmares, do Padre Cícero e do Frei Damião, a expressar a religiosidade dos nordestinos que ali comparecem em grande número. Muitos deles em reverência ou em agradecimento pela proteção ou uma graça recebida.

Há também uma igreja, construída em homenagem a Frei Damião, símbolo da fé cristã nordestina, e um parque de diversão para crianças e adultos. “É um lugar onde o migrante nordestino mata a saudade de sua terra natal e o público em geral pode vivenciar a cultura nordestina, encontrando, inclusive, o artesanato regional”, garante Bernardo

Para o nordestino, visitar o CTN, é sentir-se em casa, tamanha a receptividade. A cada semana transitam no local cerca de 25 mil pessoas. “O CTN é reconhecido pelo seu trabalho filantrópico pela prefeitura de São Paulo e pelo Governo Federal”, revela o assessor de imprensa. Foi classificado como Entidade de Utilidade Pública Municipal e Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Passa a atuar como uma instituição de fomento cultural para o Estado do Nordeste.

Baião de Dois

Esse “pedaço” do Nordeste coloca à disposição de seus frequentadores nove quiosques e dez restaurantes com barzinhos, servindo comida típica nordestina e um palco onde são realizados shows de música e dança. Cada um dos quiosques representa um Estado. O baião de dois é o prato mais vendido, mas há outras especialidades, como buchada de bode, sarapatel, carne de sol, tapioca, acarajé, entre outras delícias da culinária da região.

Festa Junina o ano inteiro

O espaço é aberto de segunda a sexta-feira durante a hora do almoço; e as sextas, sábados e domingos oferece ampla programação. O perfil do público varia conforme o dia e o horário. Por exemplo, os fãs das bandas Calypso e Calcinha Preta lotam a casa nas noites de sexta-feira. A cada show, o CTN recebe um público de aproximadamente 7 mil pessoas. No sábado, o palco é aberto para as bandas regionais, em especial de forró e sertanejo.

“Damos oportunidade para bandas de outros ritmos e promovemos o surgimento e a consagração de artistas, como ocorreu com o Frank Aguiar.” Entre as atrações habituais está o Trio Virgulino, os emboladores Sonhador e Peneira e Caju e Castanha. O domingo é considerado o dia de maior rotatividade: passam por lá cerca de 12 mil pessoas. A maioria é de famílias nordestinas, pois ali há diversão garantida para adultos e pequenos.

Vale destacar que o CTN dispõe de um curso de alfabetização voltado às comunidades do entorno, inclusive para adultos, e aulas de reforço de inglês e matemática para crianças no período de férias escolar. Além de oficinas de capoeira, dança e teatro. Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira abre na hora do almoço. Sexta e sábado, das 11 às 5 horas da manhã. Domingos, das 11 à meia-noite. A entrada é franca, exceto às sextas-feiras.