Produção acelerada
Novos equipamentos, que triplicam a capacidade produtiva; um departamento comercial e o apoio de uma criação totalmente remodelada garantem o sucesso da Spiral do Brasil, o braço produtivo da Kalunga
O consumo dos chamados produtos de “marca própria” ainda engatinha no Brasil, representando apenas 5% do faturamento do varejo, embora apresente um crescimento de 124% ao ano. Bem diferente dos números dos mercados europeu e norte-americano, que são respectivamente 39% e 15%. Diante das amplas possibilidades deste cenário, cresce o número de empresas varejistas que apostam nesse segmento, entre elas, a Kalunga, a principal distribuidora brasileira de materiais escolares e produtos para escritório e informática. Dona da marca Spiral, presente em cadernos, agendas e outros produtos escolares e de escritório, vendidos em suas lojas, a empresa mira o futuro e promove uma remodelação completa de sua unidade produtiva: a Spiral do Brasil Ltda.
Em paralelo, a Spiral dá ênfase às suas áreas comercial e promocional, com uma nova política de preços e melhor exposição dos produtos nas vitrinas ou gôndolas. Quem visitou as lojas da Kalunga no recém-encerrado volta às aulas 2010 já teve a oportunidade de observar parte dessas mudanças, principalmente, no setor de cadernos. A começar pela criatividade presente nas capas, passando pela qualidade técnica do miolo e demais complementos e acessórios. A exposição e visibilidade do produto foram outros fatores que chamaram a atenção dos consumidores, aliadas ao preço baixo, realmente sem nenhuma comparação no mercado brasileiro. O resultado já foi visto neste volta às aulas, quando as vendas dos vários modelos de cadernos universitários Capa Dura cresceram em média mais de 50% em relação a 2009.
Para o próximo ano, a Spiral já conta no chão de fábrica com a impressora Heidelberg Speedmaster SM 102, 4 x 0 ou 2 x 2 cores, e mais unidade de envernizamento, com velocidade cruzeiro de 13 mil folhas por hora, que deverá aumentar em muito a capacidade na produção dos cadernos Capa Dura. Foram adquiridos também da Heidelberg uma dobradeira Sthal, capaz de dobrar até 18,5 mil cadernos/hora, e todo o conjunto CTP (Computer to Plate), que é o processo de gravação de chapa direto, sem a utilização de fotolitos. Está em estudo a expansão nos setores de encadernação, com foco principal no revestimento e acabamento de cadernos de Capa Dura.
Ganho de tempo
“A empresa deu um salto para a modernização e tecnologia de seu parque gráfico com a aquisição de novas máquinas Heidelberg de última geração”, constata André Rossi, responsável pela produção e impressão gráfica. Segundo ele, a aquisição da tecnologia CTP, por exemplo, significa um ganho em tempo de acerto, pois o sistema está online com o departamento de criação e com a impressora Speedmaster. Desta forma, tornam-se mais ágeis e rápidas a montagem e imposição de páginas digitais, além de acelerar as informações e facilitar o balanceamento de cores na máquina, entre outras vantagens.
Quando se levantam os números, numa comparação com os equipamentos convencionais da fábrica, essa eficiência fica ainda mais evidente, conforme Rossi. O tempo de acerto de chapas, aparelho, tinteiro, registro e finalização de tonalidade, na impressora Müller, é de aproximadamente 3 horas. Os mesmos procedimentos na nova Speedmaster SM 102, consorciada com o CTP, duram de 15 a 20 minutos, um ganho de 800%. “A gravação de uma chapa pelo sistema convencional leva em média 30 minutos; enquanto no CTP cai para 8 minutos, uma diferença de tempo de 275%”, acrescenta.
Outra novidade, agora no setor de acabamento, é a dobradeira Stahlfolder Heidelberg, capaz de dobrar 90 mil folhas de caderno em 9 horas. Na dobradeira MBO convencional, durante o mesmo período, são dobradas apenas 18 mil. Isso representa para a Spiral do Brasil algo em torno de 400%, uma triplicação no processo produtivo não só de cadernos, mas de agendas e demais impressos. Rossi admite que ainda há “gargalos”, mas eles deverão ser combatidos no decorrer deste ano. Por exemplo, estuda-se a aquisição de novos equipamentos para verniz e serigrafia, o que pode significar também mais redução no processo produtivo.
Mercado interno
“A partir dessa reformulação, poderemos reduzir em muito o processo produtivo dos cadernos. Antes, gastávamos quase cinco meses, entre a criação e a finalização”, comenta o chefe de impressão e produção gráfica. Com isso, haverá mais tempo para responder com eficácia, por exemplo, à demanda de cadernos em meio ao volta às aulas, como foi o caso deste ano, quando não se verificou o chamado período de entressafra. Ganham agilidade com isso outros setores da Spiral do Brasil, que emprega atualmente 250 colaboradores e produz cerca de 700 itens, entre materiais escolares e produtos para escritório.
Além dos cadernos e agendas, a empresa fabrica pastas registradoras AZ, clipes, bobinas para máquinas de calcular, pastas com aba elástico e grampo trilho e impressos padronizados, entre outros itens. Durante o ano de 2009, foram processadas pela gráfica cerca de 9 mil toneladas de papel. Para se ter uma ideia do volume produtivo, o caderno universitário Capa Dura 1 x 1, 96 folhas, teve um crescimento médio nas vendas de 90% neste início de ano, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Detalhe: atualmente, todos os produtos da empresa são comercializados no mercado interno, melhor, nas lojas, no site e através do Televendas/Contratos da Kalunga.
Em seus 22 anos de atividades, a Spiral do Brasil posiciona-se hoje como um dos principais fornecedores da Kalunga, tanto de materiais escolares quanto de escritório. Abílio Fernandes, gerente de contas da Spiral, e também responsável pela compra de insumos para a fábrica, atribui o sucesso das vendas da marca no último volta às aulas à redução das margens de lucro, principalmente nos cadernos. “Foi uma decisão conjunta entre a diretoria, a área de compras e a produção.”
Os fornecedores entenderam a proposta, conforme o gerente de contas, e deram retaguarda, com as melhores condições de compra de insumos e prazos recordes para pagamento, o que possibilitou à Spiral oferecer preços ainda mais baixos. Na área de insumos, ele destaca os três fornecedores fundamentais para a produção: International Paper do Brasil, que fabrica o papel; Pasa, responsável pelo fornecimento do cartão; e Adecol, que produz as colas usadas na fabricação de cadernos, agendas e pastas.
Fernandes acredita que a nova fase vivida pela Spiral do Brasil, insuflada pelos bons ventos do último volta às aulas, além de favorecer as negociações com os fornecedores, agiliza a programação da produção para todo o ano. Em 2009, ele revela que o sucesso das vendas de cadernos em agosto (o volta às aulas do meio do ano), superiores às de janeiro, contribuíram para uma projeção de quanto seriam vendidos no início de 2010, o que de fato se confirmou.
Nova postura comercial
O reposicionamento da Spiral do Brasil no mercado foi anunciado durante a última convenção da Kalunga, em dezembro do ano passado. Antes disso, a empresa já dava indícios de mudança, com a reestruturação de seu departamento de criação. Naquele evento, após a exibição de um vídeo institucional sobre a empresa, foi anunciada a ênfase total no volta às aulas, com melhor concentração e disposição dos produtos nas lojas. Entre eles, convencionou-se em dar um foco maior no ponto de venda, naqueles de marca própria, principalmente, os cadernos e agendas Spiral.
“A proposta maior com esse vídeo foi apresentar a Spiral ao cliente interno Kalunga, na verdade, uma peça-chave para que consigamos obter sucesso com o nosso cliente externo”, explica Roberto Araújo, responsável pelo setor. Quem visitou as lojas da Kalunga no início do ano pôde ver na prática o resultado desse trabalho, não só pela maior exposição dos produtos Spiral, como também pela presença dos promotores da marca. Cabe a eles conversar com os gerentes, ouvir suas necessidades, observar a evolução das vendas em cada loja, e o que fazer para incrementá-las.
Segundo Araújo, a ativação de uma área comercial dentro da Spiral ajuda a intensificar o elo de comunicação da empresa junto à Kalunga. Permite assim viabilizar os anseios dos clientes e tendências do mercado com a realidade produtiva da Spiral do Brasil. Além do estreitamento do relacionamento entre as duas empresas, o departamento comercial cuidará de expor de forma mais adequada a marca Spiral no ponto de venda. Ajudará na coleta de sugestões vindas de colaboradores do piso de loja e das opiniões dos próprios clientes.
Essa preocupação em mostrar a Spiral ao “público interno” estende-se também ao Departamento de Recursos Humanos, que preparou um vídeo institucional, para ser mostrado aos novos colaboradores das duas empresas. Ao mesmo tempo, Araújo prevê estudos internos com sugestões que busquem manter a capacidade produtiva não apenas no período pré-volta às aulas, mas durante todo o ano. “Um grande desafio será trabalhar para que a marca Spiral continue como sinônimo de qualidade e sofisticação, representando bem a nossa marca maior, a Kalunga”, afirma.
Nessa direção, o novo departamento comercial e a divisão de criação da Spiral do Brasil, juntamente com as áreas de vendas e marketing da Kalunga, terão como meta “destacar” ainda mais o mix de produtos Spiral no ponto de venda, ou seja, nas lojas da Kalunga. “Nosso desafio é reduzir a disparidade entre a produtividade da Spiral no início do ano e durante o ano todo”, assegura Araújo. Ao mesmo tempo em que serão exploradas as datas comemorativas ou sazonais, será feito um trabalho de reforço junto aos clientes com vistas à sua fidelização, para que percebam a disponibilidade e o diferencial da extensa linha de produtos que lhes é oferecida.
A presença dos promotores nas lojas, conforme Araújo, servirá também para que sejam desenvolvidas pesquisas junto aos clientes sobre as suas necessidades. Estuda-se, por exemplo, o lançamento de uma marca “Premium”, com produtos ainda mais bem elaborados e sofisticados, a preço justo. Seria uma forma de preencher alguns vazios na prateleira do consumo, uma alternativa estratégica, que resultará em benefícios para o desenvolvimento do grupo de maneira geral. “Isso vai mostrar uma Kalunga mais competitiva, pois a marca própria, ao eliminar intermediários, além dos preços mais em conta, proporciona margens mais altas”, finaliza.
Sintonia Criativa

Equipe de Designers Spiral
Como ponto de partida no processo produtivo da Spiral do Brasil, o departamento de criação, responsável pela elaboração das capas de agendas e das 29 linhas de cadernos, procurou em primeiro lugar ajustar o cronograma. Segundo a gerente Fernanda Rodrigues Brito, a preocupação principal foi de lançar as linhas junto com a concorrência, o que não vinha ocorrendo. “Agora, ao mesmo tempo em que procuramos trabalhar sempre um volta às aulas à frente, teremos produtos nas lojas, a partir de setembro.”
Desde que chegou à Kalunga, há cerca de dois anos, a preocupação da gerente foi reestruturar a criação, com a contratação de novos designers e dinamizar as pesquisas sobre as mais novas tendências de mercado. Em outras palavras, observar quais os modelos vão cair no gosto do público. As consultas junto aos clientes levaram à conclusão de que é preciso ter muita variedade nas gôndolas para atender a todos os públicos. Uma tendência clara no último e para os próximos volta às aulas é a da linha ecológica, que deverá ser incrementada.
Fernanda cita como exemplo a procura pelos cadernos “Natureza Viva”, que deverão ter a companhia de estojos, mochilas e outros itens. Outra marca alusiva à preservação ambiental é o selo do Cerflor (Certificado Florestal), garantindo que o caderno foi fabricado com papel de madeira oriunda de reflorestamento e não de floresta nativa. A Spiral do Brasil tra balha com o papel Chambril, fornecido pela International Paper do Brasil, que tem essas características e o selo Cerflor.
A criação colocou nos eixos também a produção de agendas. Além das permanentes, deu prioridade ao cronograma produtivo das datadas, que agora ficam prontas até o meio do ano. Tanto para as agendas, quanto para os cadernos, Fernanda acredita que a boa exposição nas lojas é essencial para o sucesso das vendas; daí a importância do recém-criado departamento comercial da Spiral. “Não é só porque o caderno ficou bonito, é preciso desse suporte no ponto de venda, tanto que os números deste ano já mostram isso.”
Sobre o mix de produtos, a gerente de criação destaca a evolução das vendas dos cadernos Capa Dura, que deverão crescer ainda mais. Algumas linhas, como a UFC, Natureza viva, Femmina e Zen, esgotaram-se rapidamente nas lojas, o que comprova o acerto das novas medidas. Para o próximo ano, além de agregar ainda mais qualidade e tecnologia às linhas atuais, ela confirma o investimento em linhas de cadernos mais sofisticados, com Hot Stamp e outros acessórios.
Fotos por Adriano Pieroni
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